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Costa e Centeno, os guardiões de uma banca falida! 

Um relatório extraordinário do Banco de Portugal – não por acaso a surgir a público agora, que se encerraram as urnas das eleições para o Parlamento Europeu e se limpam as urnas para as próximas eleições legislativas -, refere que foram injectados na banca, nos últimos 12 anos, a exorbitante quantia de 23,8 mil milhões de euros de fundos públicos, estando por recuperar cerca de 80%. 

Sempre denunciámos que, mercê de uma política de casino, assente numa criminosa especulação financeira, em contexto de moeda única e do espartilho das “regras orçamentais” ditadas por Bruxelas, a banca – privada e pública – em Portugal, está falida. Como sempre afirmámos a nossa frontal oposição a que, com dinheiros públicos, se salvasse uma banca que, enquanto o eldorado especulativo durou, se entretinha a distribuir, generosamente, dividendos entre os seus accionistas abutres. 

Defendemos, e continuamos a defender, que já que se “nacionalizaram” as dívidas, se devem nacionalizar os “devedores” e levar a cabo uma acção no sentido de reverter créditos duvidosos, assentes em contratos ilegais e ilegítimos, com cláusulas que fazem pender sobre o tesouro público décadas de calotes que foram programados para agarrar o país a uma dívida eterna e impagável! 

O ponto alto deste maná ocorreu em 2012, com a injecção de 11.065 milhões de euros. Mas, ao longo do período referido, o guloso bolo dos fundos públicos foram generosamente distribuídos da seguinte forma: 

  • Só para o chamado “banco público”, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), foram 6.250 mil milhões de euros;
  • enquanto para o Banco Português de Negócios (BPN) – o banco e o banqueiro amigo de Cavaco – beneficiou de 4.015 milhões de euros,
  • tendo sido torrados 4.330 milhões de euros no BES/Novo Banco;
  • no BANIF foram enterrados 3.355 milhões de euros,
  • tendo o Banco Comercial Português sacado 4.915 milhões  e o BPI 1.500 milhões,
  • cabendo ao BPP uns “modestos” 450 milhões de euros. 

Ou seja, só a banca privada foi “bafejada” com 17.550 milhões de euros!!! 

Apesar de o Banco de Portugal referir, no supracitado relatório, que já foram devolvidos ao Estado cerca de um quinto destes montantes exorbitantes, a exorbitância do abuso não deixou de existir. 

Tanto mais quanto, perante a falência e degradação do sistema de saúde, do sistema de educação, da assistência social, da habitação, da reposição da justiça quanto aos tempos de trabalho, salários e progressão na carreira, a resposta dos sucessivos governos de direita e extrema direita – PSD/CDS e PS/PCP/BE/Verdes – é sempre a mesma...não há dinheiro para investir. 

O PCTP/MRPP foi o único Partido a desmascarar o mito criado pelos partidos do “arco governamental e parlamentar” – mas não só – de que Portugal e o povo português são gente séria que, como tal, “paga as suas dívidas”!!! 

Suas dívidas?! Não! As dívidas dos bancos que foram pagas à custa do erário público, da austeridade sobre quem trabalha, da brutal carga fiscal que se impôs ao povo, carga fiscal que no final de 2018 atingiu o montante de 35.4%, o valor mais alto desde 1995!!! 

Enquanto se favorecem de forma descarada os calotes bancários, em nome da necessidade imperiosa de salvar um sistema corrupto e corruptor como este, vêm ao conhecimento público casos como o de uma mulher que estava em trabalho de parto a ser enviada, sozinha, para outro hospital por falta de vagas ou de doentes a serem internados em refeitórios e casas de banho, por falta de enfermarias que pudessem acolher o seu internamento, apontamentos que servem para sublinhar a degradação a que aqueles que agora dizem o querer “salvar”, deixaram chegar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). 

Cúmplices deste crime que lesa os legítimos direitos dos operários, dos trabalhadores e do povo: 

  • a uma política de saúde que se realize de forma eficaz e eficiente, mas em tempo útil;
  • a uma política de educação e cultura que eleve a sua consciência e capacidade de interacção social;
  • a uma política de habitação que não expulse as populações dos centros urbanos;
  • a uma política de transportes que não exiba medidas popularuchas como a do “passe social”, mas antes assegure a rede logística e de equipamentos que sirva adequadamente as necessidades dos seus utentes;
  • a uma política de investimento na recuperação do nosso tecido produtivo;
  • a uma política que passa, necessariamente, pela saída de Portugal da União Europeia e do euro. 

são os sucessivos governos, desde o de coligação entre a direita e a extrema-direita, de Passos e Portas, ao actual, uma coligação de direita entre o PS e o PCP, BE e Verdes. Estes partidos, que se reclamam da esquerda, aceitaram, negociaram e aplaudiram os quatro últimos orçamentos de colónia que Bruxelas, através de Costa e Centeno, impôs ao País. 

Quando da sua boca saem piedosas e hipócritas “condenações” ao partido cujos orçamentos ajudaram a aprovar, mormente aquelas que dizem respeito à falta de dinheiro para repor a justiça dos cortes salariais, do tempo de trabalho e da progressão nas carreiras, quando existe, como acima ficou demonstrado, dinheiro a rodos para salvar uma banca parasita, deviam de imediato ser sujeitos a lavagem da boca com lixívia, seguida de piri-piri de benguela na língua!

 

29Maio19                                                                             LJ

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