Partido

 

O Meu Partido de Sempre

 

Rui Mateus

 

Camarada,

 

Agradeço-te a resposta à minha simples missiva do dia 5 de Abril, em resposta ao teu desafio à minha assumpção de responsabilidades face ao meu partido de sempre.

 

Escalpelizado com grande frontalidade e correcta os factos que decorreram nestes últimos anos, colocas sem dúvidas os dois caminhos possíveis a tomar. Infelizmente muitos de nós tomamos o caminho de liquidação progressiva e paulatina da destruição do nosso partido. O exemplo que colocas do nosso jornal, Luta Popular online, que deveria ter sido uma arma, a voz de um exército imparável de militantes comunistas, tornou-se um simples veículo de ressonância do grupo de liquidacionistas que imperava na direcção do partido, e mesmo que os teus artigos tivessem sido publicados na mesma altura, serviram simplesmente como pano de fundo, contrariados na prática da vida quotidiana do partido, e tão poucas vezes serviram de estudo nas fileiras da nossa insípida organização dita leninista...sim gritámos NÃO Pagamos, uma justa posição que impuseste no interior do partido, mas na prática simplesmente papagueamos-a...

 

Da minha parte, aceitando a tuas observações em teoria, na prática traí, que culminou na deserção da redacção do jornal. Em pouco tempo esta minha deserção transformou-se em fugir das tarefas do partido na organização em Lisboa. Desde de meados de 2014, deixei de ser um militante comunista ou melhor, um 'aprendiz de feiticeiro', deixei que as minhas circunstâncias pessoais, graves, mas não insolúveis, se transformassem em algo irreversível.

 

A tua tomada de posição logo a seguir às eleições legislativas de 2015, o teu grito de guerra, apanharam-me desprevenido, o tal aprendiz de feiticeiro, e tentei "conciliar o que não é possível, denotando as minhas fraquezas ideológicas sobre o marxismo e assim não me apercebi do alcance das palavras", das tua posição, sempre frontal, sem tergiversação de espécie nenhuma. A minha amizade por Garcia Pereira veio ao de cima e tentei conciliar, mais uma vez o que era e é inconciliável, a construção de um partido comunista operário ou um simples grupo de amigos que sabiam de cor algumas palavras de ordem. Mas o tempo, veio demonstrar a clareza das tuas posições e das verdadeiras intenções deste grupo anti-partido. Levei tempo, demasiado, a compreender que o tu pretendes é a clarificação ideológica do partido, da sua verdadeira matriz de sempre, mas "uma coisa é certa, desde de sempre nunca aceitei denegrir o meu partido de sempre, e nas actuais circunstâncias, mesmo não militando no partido, tomei como justas e como minhas, as palavras defendidas pelo camarada no nosso jornal online, situação que me obrigou a estudar com mais afinco o marxismo."

 

Assim camarada, mesmo com as minhas actuais circunstâncias pessoais, graves, continuarem, fruto também das minhas continuadas insuficiências ideológicas, não pretendo abandonar o barco, mesmo na retaguarda, este meu partido será sempre meu. Pode ser que a vida em conjunção com o estudo do marxismo, este aprendiz de feiticeiro se transforma, senão num militante comunista, pelo menos num aprendiz do marxismo. Podes contar com este meu compromisso camarada, sem tergiversação.

 

Viva o partido!

 

Viva o Congresso Regional nos Açores! Que viva estes militantes comunistas!

 

Viva o 1. de Maio!

 

Viva o comunismo!

 

Um grande abraço, saudações camarada.

25Abr17

 

 

 

 

 


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