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Sobre as Teses da Urgeiriça

O trabalho teórico de aprofundamento do marxismo produzido pelo camarada Arnaldo Matos, recentemente divulgado no Luta Popular e muito apropriada e justamente conhecido como as Teses da Urgeiriça, constitui uma extraordinária e inédita contribuição para a necessária e até agora não atingida compreensão e apreensão das verdadeiras causas do fracasso das revoluções russa de Novembro de 1917 e chinesa de 1949, causas essas que pela primeira vez são fundamentadamente reportadas a erros de Lenine e de Mao na aplicação da teoria económica marxista às condições específicas em que se desencadearam aquelas revoluções.

As Teses da Urgeiriça, expostas de forma clara e rigorosa, e fundadas numa correctíssima análise de factos históricos, designadamente da revolução portuguesa de 1383/1385, revelam um profundo domínio do marxismo e devem representar uma arma teórica e prática para que o proletariado e os comunistas, na fase actual da globalização e mundialização do imperialismo e da guerra, não voltem a cometer os erros do passado e tornem vitoriosa a revolução e o comunismo, fortalecendo a certeza dessa vitória.

Por ser difícil fazê-lo por outras palavras sem trair o seu alcance, escolho transcrever o que me parece constituir uma das mais importantes conclusões destas Teses:

A revolução proletária socialista tem de atacar, e em primeiro lugar, o modo de produção económico capitalista: tem de atacar, antes de tudo, o processo material económico pelo qual o capitalista, através do capital-salário, confisca ao operário o capital-mais-valia, e tem de pôr cobro a esta expropriação, quer ela seja privada, pública ou estatal, a fim de destruir o próprio fundamento do modo de produção capitalista e criar as bases económicas do novo modo de produção comunista.

Ora, a revolução de Outubro, na Rússia, tal como a revolução da democracia nova, na China, não atacou nunca este processo económico de circulação do capital e nunca pôs em causa a apropriação privada da mais-valia, fosse essa apropriação individual, corporativa, de toda uma classe em conjunto ou estatal.

23.11.2016

Carlos Paisana

 

 

 

 

 


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