Partido

O Liquidacionismo é o Abandono da Teoria da Revolução

 Os operários portugueses mais antigos, assim como os mais velhos militantes e simpatizantes do nosso Partido, sabem que o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) dedicou, desde os tempos da clandestinidade e da sua fundação em 18 de Setembro de 1970, um empenho e cuidado extremos na divulgação e no estudo do marxismo-leninismo, da teoria revolucionária do proletariado, dentro do Partido, mas também no seio do movimento operário e da juventude revolucionária.

Nos quatro anos da sua actividade política clandestina e até ao começo dos anos noventa, o Partido editou mais de cem mil exemplares de obras de Marx, de Engels, de Lenine e de Mao Tse-Tung, e promoveu organizadamente o estudo dessas obras nas células e comités do Partido, nas associações populares de cultura e nos bairros operários do país inteiro, incluindo os seus distritos do interior.

Toda a gente se admirava que um Partido, não muito expressivo em termos eleitorais, consagrasse todavia um tão grande interesse e uma parte muito significativa dos seus recursos à difusão e estudo da teoria da revolução proletária, ao marxismo-leninismo e ao maoismo, não só no Partido, mas também entre a vanguarda dos operários nas fábricas e dos camponeses nos meios rurais.

Por mais jovens que fossem, os nossos militantes e simpatizantes mostravam-se preparados para cumprirem a sua tarefa de propagandear entre as massas os fundamentos da teoria do marxismo-leninismo e da revolução proletária.

Quando, porém, a corrente liquidacionista açambarcou a direcção do Partido, o primeiro ataque foi desferido precisamente contra a teoria marxista da revolução proletária, começando por abandonar a sua divulgação e o seu estudo nas fileiras do Partido e entre os elementos mais avançados da classe operária e de outras camadas de trabalhadores.

Sob a direcção bicéfala de dois reaccionários anti-comunistas como Conceição Franco e Garcia Pereira, o nosso Partido e a classe operária portuguesa foram totalmente desligados da teoria revolucionária, cortados do sangue vivificador do marxismo- -leninismo.

Durante três longos anos, os operários puderam – ou teriam podido, se para tanto tivessem tido paciência – ouvir o papagaio Garcia Pereira, semanalmente, na estação televisiva do jornal Económico, dar conselhos à classe dominante para sair da crise onde se atolava, mas nunca o ouviram pronunciar uma única palavra sobre a revolução proletária, sobre a luta pela sociedade comunista, sobre os princípios fundamentais do marxismo- -leninismo, sobre a organização dos trabalhadores para derrubarem o capitalismo. Até o programa mínimo do Partido era transformado num programa político minúsculo, pequeno-burguês, assexuado e reaccionário, que não por acaso tinha frequentemente o apoio caloroso do seu confrade televisivo, militante do PSD de Passos Coelho.

Garcia Pereira teve por longo tempo ao seu alcance uma tribuna televisiva a partir da qual poderia ter desferido ataques demolidores ao governo de traição nacional PSD/CDS ou de se lhe opor com a divulgação da teoria da revolução e da ideologia comunista, mas preferiu sempre limitar-se a comentar amavelmente as perguntas capciosas dos locutores de serviço, em vez de se apresentar como um dirigente comunista de um partido revolucionário proletário, o que obviamente seria exigir-lhe demais, pois Garcia Pereira, tal como o seu par Conceição Franco, não é nem nunca foi esse dirigente comunista revolucionário.

Como nunca leram nem estudaram os fundadores do marxismo-leninismo, Conceição Franco e Garcia Pereira nunca conheceram, nem puderam meditar – e muito menos aplicar nas suas tarefas partidárias – a famosa tese leninista, dezenas de vezes repetida, esclarecida e desenvolvida, mas pela primeira vez escrita na obra Que Fazer? As Questões Candentes do nosso Movimento, editada em 1902 – de que “sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário”, tese que os revolucionários em todo o mundo abreviaram para a fórmula hoje consagrada: sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário.

Ora, no nosso Partido, e desde que Conceição Franco e Garcia Pereira impuseram o domínio da corrente reaccionária pequeno-burguesa do liquidacionismo, a teoria da luta de classes como motor da história, da inevitabilidade da revolução proletária vitoriosa e do comunismo nunca mais foi estudada e divulgada em Portugal, nem as obras de Marx, Engels ou Lenine puderam continuar a chegar às mãos dos operários portugueses, seus reais destinatários.

O que a corrente liquidadora impôs ao Partido e à classe operária é, sem todavia o declararem expressamente mas aplicando-o na prática, a teoria de que a história está na sua última etapa e que a sociedade burguesa liberal é a sociedade final. Ou seja: para os liquidadores, como Conceição Franco e Garcia Pereira, não é Marx quem tem razão, pois quem, para eles e em última análise, tem razão é Fukuyama e mais ninguém.

Temos pois que voltar ao estudo e difusão, no nosso Partido e no seio do proletariado, da teoria revolucionária, porquanto – outra fórmula de Lenine – “só um partido guiado por uma teoria de vanguarda pode desempenhar o papel de combatente de vanguarda”.

No combate aos liquidadores, o que é decisivo é a reflexão teórica. O estudo da teoria revolucionária do marxismo à luz da experiência concreta da luta de classes em Portugal e no mundo. E a aplicação da teoria à transformação revolucionária da sociedade.

Até agora, Conceição Franco e Garcia Pereira têm procurado orientar a luta política do Partido, cheirando o cu à pequena-burguesia e à classe média, em vez de se meterem à cabeça do proletariado, orientando-o na condução de todas as lutas políticas, sociais, económicas e culturais emergentes das contradições da sociedade.

No campo das lutas económicas e sindicais, Conceição Franco e Garcia Pereira têm andado a cheirar outro cu, atrás do qual pretendem fazer-nos marchar: o cu do revisionismo e do social-fascismo do PCP e da Intersindical.

Como a reflexão teórica foi afastada do Partido precisamente pela direcção bicéfala liquidacionista, ninguém se interroga se o Partido vai ou não por bom caminho. Como as formigas no carreiro, vão cheirando o cu umas às outras, e ninguém se põe de pé para verificar que o mundo não é como parece.

Ora, é preciso, é necessário, é imprescindível que o nosso Partido estude profundamente a teoria do marxismo, para poder aplicá-la à realidade. Essa é a maneira de derrotar o liquidacionismo, justamente no campo onde os liquidadores começaram o seu ataque ao Partido e à classe operária – o campo da teoria.

Sem teoria revolucionária, não teremos nunca um partido revolucionário. E só um partido guiado por uma teoria de vanguarda, como ensinaram Marx e Lenine, pode desempenhar o papel de combatente de vanguarda.

Façamos pois da reflexão teórica marxista à luz da experiência da revolução proletária em Portugal e no mundo a arma com que iremos derrubar os liquidadores dentro do nosso Partido e no movimento operário em Portugal.

Venceremos!

09.12.2015


Espártaco

 

 

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