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A Luta dos Mineiros da Panasqueira

MinasPanasqueiraOs mineiros das minas de volfrâmio, tungsténio, estanho e cobre, da Panasqueira (Barroca Grande- Covilhã) concentraram-se no dia 11 de Dezembro frente às instalações da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), na Covilhã, para exigirem que esta cumpra as suas funções de fiscalização, no que respeita à ausência de condições em que os mineiros são obrigados a trabalhar e a que a ACT continuamente fecha os olhos, pactuando com a administração.

Esta é uma luta que os trabalhadores das minas travam há anos contra os capitalistas exploradores da sua força de trabalho, (a empresa Beralt Tin & Wolfram) e da sua saúde. E também contra o oportunismo de um sindicato que há anos negoceia a morte dos operários mineiros com a administração.

Há seis meses, a 17 de Junho, o STIM (Sindicato dos Trabalhadores da Indústrias Mineira) exibia como grande vitória o acordo alcançado nas negociações do caderno reivindicativo para 2021, e que havia “garantia de uma contínua melhoria das condições de trabalho”, embora não referisse quais as garantias, nem quais as condições de trabalho que a concessionária se obrigou a garantir. É preciso saber: quais foram os compromissos que a administração efectivamente assumiu e quais foram as datas estipuladas para a efectivação de tais compromissos?

Agora, em comunicado à comunicação social, vem dizer que as condições de trabalho se degradam a cada dia que passa. O que é uma manifesta derrota! No sector mineiro, a verificação de condições de trabalho é vital, porque delas decorre a vida ou a morte dos trabalhadores mineiros, quer a nível de acidentes de trabalho, quer a nível da degradação da sua saúde, nomeadamente o perigo de doenças pulmonares, nomeadamente a silicose.

Ora, isso significa que nos últimos seis meses a degradação das condições de trabalho, em vez da melhoria “garantida”, aumentaram, tornando-se insuportáveis para os trabalhadores.

Há anos que os mineiros da Panasqueira exigem que sejam tomadas medidas relativas à extracção de fumo e renovação do ar, que se deixe de utilizar maquinaria pesada a gasóleo, diminuição dos ritmos de extração de rochas, sem deixar para trás as condições mínimas no refeitório e nos espaços onde se alimentam, assim como nos balneários, etc.

Num momento em que o capital enche a boca com a economia “verde”, nas minas da Panasqueira impõe a economia negra. E nem o que tem sido o grande combate deste governo – a pandemia Covid19 – chegou às minas da Panasqueira. E se houver um surto nas minas?

Os mineiros das minas da Panasqueira não são de baixar os braços, têm uma grande experiência de luta e sabem retirar lições das manipulações de um sindicato que não os defende.

Toda a experiência de luta dos mineiros lhes diz que a solução passa, no campo sindical, por uma direcção despida de subordinações e colaboracionismos com o Capital. É para responder a essa necessidade que está em formação o Sindicato do Proletariado da linha sindical LUTA – UNIDADE – VITÓRIA que abarcará todos os sectores explorados entre os quais os mineiros.

Os mineiros unidos, sob uma nova direcção capaz, vencerão.

Viva a justa luta dos mineiros da Panasqueira!

13Dez2020

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