PAÍS

Um caudal de lutas que engrossa o rio da revolta operária e popular!

A classe operária começa a ter uma consciência de classe clara de que, face à crise económica sistémica em que o sistema capitalista e imperialista imergiu, que o está a colocar à beira de um conflito mundial entre os dois grandes grupos imperialistas planetários – China e EUA –, a crise pandémica está a servir de instrumento de superação da crise pela via capitalista da reconfiguração do sistema, na qual a repressão terrorista fascista de quem trabalha, especialmente da classe operária, é um componente fundamental.

Costa e os seus lacaios prestam-se, neste momento e como sempre, a “iluminarem” o caminho que a burguesia capitalista e imperialista europeia deseja prosseguir, não sem antes ter os préstimos de um “bom aluno” que vá “terraplando” o caminho que pretendem de há muito seguir. Isto é, esmagar qualquer tipo de sublevação popular, submeter a classe operária, confrontando-a com um “problema” – a alegada pandemia de SARS-Cov-2/Covid-19 – e anunciando-lhe a “salvação” com uma vacina de duvidosa eficácia – todos se lembrarão do crime, cujos efeitos dramáticos ainda hoje se fazem sentir, que constituiu o TAMIFLU.

Em Portugal, o governo de Costa – apoiado por Marcelo – diz aos operários e aos trabalhadores que, no entanto, para serem “salvos” se têm de “portar bem”, ficar no remanso dos seus lares, não “fazer ondas” e “confiar nas autoridades” de saúde. Mas, a classe operária e os trabalhadores têm feito um real manguito ao soba de S.Bento e ao “imperador” dos “afectos”, residente em Belém.

Por todo o país, demonstrando que não temem a máquina de repressão que sobre eles se abate, os operários e os trabalhadores encetaram várias lutas e greves pela conquista de direitos que, de outra forma, não conseguem impor ao poder burguês instalado.

Uma das mais paradigmáticas é a greve que os operários da HANON, empresa que desenvolve e produz na área do fabrico de equipamento não doméstico para refrigeração e ventilação, situada em Palmela, no distrito de Setúbal, levou a cabo durante a semana de 09 a 13 deste mês . Os 400 operários e trabalhadores que emprega – cerca de 300 como precários – decidiram entrar em greve para exigir melhores salários, o que enfureceu o patronato. Este, confiante de que teria o suporte de um governo e de um Estado que se tem utilizado da crise pandémica para aplicar medidas terroristas e fascistas que levem à capitulação de quem trabalha, decidiu chamar a GNR para os desmobilizar e impedir de levar a cabo um Plenário de trabalhadores, alegando que tal evento poria em causa a “segurança sanitária”!!!

Já na SILAMPOS, empresa sediada em Cesar, Oliveira de Azeméis, a luta dos operários e restantes trabalhadores trava-se pela agilização do aumento de salários, no âmbito da luta pela conclusão de um melhor contrato colectivo de trabalho para o sector metalúrgico em que a empresa está inserida.

A luta por melhores salários estendeu-se a várias empresas, tais como a empresa do Grupo CAT , uma empresa de logística de capitais franceses (criada pela Renault), sediada na Quinta do Anjo, onde os trabalhadores decidiram entrar em greve na manhã do próximo dia 18 de Novembro, a fim de realizar um Plenário à porta das instalações de Águas de Moura em Palmela, para decidir sobre novas formas de luta para exigir um aumento salarial de 90 euros e a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, uma exigência há muito colocada pelo nosso Partido. A mobilização e a vontade de lutar é enorme, e envolve as várias unidades que a empresa possui em Portugal – incluindo as de Vendas Novas (Évora) e a do Vale Ana Gomes (Setúbal).

Agendadas estão também greves – para os dias 23 de Novembro e 2,3 e 14 de Dezembro, das 10 às 14 horas -, por aumentos salariais, na OMOS, uma empresa de Vila do Conde do sector tecnológico, e na JIMO, empresa com sede na Póvoa de Varzim que se dedica ao fabrico de equipamento de frio industrial.

Aproveitando-se das recentes medidas terroristas e fascistas que o governo de Costa e seus lacaios implementaram quanto à “mobilidade” do trabalho, a PLURAL, uma empresa do sector farmacêutico com sede em Coimbra e plataformas logísticas nas cidades do Porto e Covilhã, viu rechaçada a sua tentativa de impor o banco de horas, que limitaria drasticamente o direito dos trabalhadores a disporem livremente das suas horas de descanso e de lazer. E isto apesar de a administração, num puro acto de intimidação, ter chamado a PSP para impedir os trabalhadores de procederem à distribuição de comunicados aos seus camaradas de trabalho e à população que circulava junto às instalações da empresa.

Também na área da saúde registamos lutas contra os despedimentos, nos hospitais de S.José e de Braga – conforme noticiámos esta semana nas páginas do Luta Popular online. Mas a luta já se estendeu ao Lar da Mansão de Marvila, onde os trabalhadores estão em luta pela sua integração, após o despedimento colectivo de que foram alvo e as declaração do Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, entidade que tutelava até há bem pouco tempo aquele Lar. É também de uma luta contra contratos precários que se trata, pois é o que lhes está a ser “oferecido” em troca de contratos efectivos em que assentava o seu vínculo laboral.

Se a burguesia e o seu lacaio Costa pensavam que, protegidos pelo “escudo pandémico”, conseguiam vergar os trabalhadores e os desmobilizar da luta pelos seus direitos a um melhor salário, à recusa da precariedade, à semana das 35 horas ou à não aceitação de “bancos de horas” que comprometam o seu descanso e o seu direito ao convívio familiar, lúdico e social, estão muito enganados.

É que já estão na calha mais lutas. Anunciada para a primeira semana de Dezembro – só na próxima quinta-feira será anunciado o calendário exacto, durante uma concentração marcada para esse dia, frente ao Ministério da Educação –, está a Greve dos Auxiliares de Educação das Escolas Públicas, que exigem a contratação de mais trabalhadores, já que o quadro existente – que já era insuficiente – não consegue dar resposta adequada, quer às tarefas de que já era responsável, quer aos procedimentos sanitários actualmente obrigatórios em todo o espaço escolar.

Levanta-se, por todo o país, um clamor contra a exploração capitalista, contra a escravatura assalariada. O levantamento popular é já um rio cujo caudal engrossa até que engula um sistema parasitário, assente na exploração do homem pelo homem e num modo de produção assassino e castrador da esperança num mundo melhor, sem classes ou luta de classes. Uma luta que tem a consciência de que este governo não está a “tratar da saúde” dos operários e dos trabalhadores, mas sim a criar as condições para que a sua dignidade, a sua saúde, o seu bem-estar, fiquem ainda mais comprometidos.

17Nov2020

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