PAÍS

Eurest
Colectivamente podemos despedir o capitalismo!

A pandemia e o capitalismo continuam a fazer das suas, no mercado laboral. E os sacrificados são sempre os mesmos, os trabalhadores! Os despedimentos continuam na calha! Desta feita, um despedimento colectivo de 122 trabalhadores!
  
Os trabalhadores da Eurest realizaram uma concentração de protesto, junto à sede da empresa (Amadora) contra o despedimento de 122 funcionários. 

A Eurest está em Portugal desde 1974, sendo, muito depois, comprada pela multinacional inglesa Compass, explorando paulatinamente, de forma ardilosa, maldosa e sub-reptícia a força de trabalho no ramo de negócios das cantinas, cafetarias e outros serviços conexos. 
 
A Eurest tem um volume de negócios superior a 100 milhões de euros anualmente! Pasme-se prezado leitor! Todos os anos dá milhões de lucros, recebeu e continua a receber apoios do Estado neste período de pandemia, não pagam um tostão de IRC, é chapa ganha chapa acumulada. O esquema está de tal forma montado que nem um qualquer tostão que lhes caia da rodilha lhes escapa, nem se deixam compungir por uma imagem de contribuintes em termos sociais que uma atitude diferente pudesse dar! Empregando cerca de 4000 trabalhadores, lançam agora para o desemprego e para a precariedade os trabalhadores mais indesejados, mais antigos e com contratos de trabalho, em detrimento de novos trabalhadores através de empresas de trabalho temporário, intensificando a exploração e para reduzir as condições de trabalho.  Depois de ter recorrido ao lay-off, passado dois meses, liquidou 122 postos de trabalho, beneficiando ainda assim de todos os apoios pagos pelos contribuintes. Mas isto é o quê? 
 
É o capitalismo no seu esplendor!
 
Entrevista a um trabalhador da Eurest. 
 
Benjamin - Como classifica o domínio da Eurest em Portugal?
 
Trabalhador - a Eurest domina o sector da restauração colectiva, fábricas, empresas e cantinas escolares; são detentores do contrato com a Câmara Municipal do Porto e com as escolas. São os tubarões deste sector! Têm apoios do Estado e socialmente não contribuem com nada! Este despedimento não tem motivo legal! 
 
B - Como explica esta situação do despedimento colectivo? Os desenvolvimentos que foram surgindo. 
 
T - A empresa aproveita-se daquilo que o sistema tolera e impele, em defesa do patrão, do capitalista. Por exemplo, pessoas que chegam à empresa do centro de emprego, a empresa não paga a parte deles da segurança social, inclusive tenho colegas nessa situação e neste momento não se sabe nada deles, pois os precários começaram a saltar de um lado para o outro e não sabemos onde andarão. Entretanto chegámos a princípio de Março, início da pandemia,  começámos a sentir o refeitório mais vazio. Os trabalhadores da indústria, de uma maneira geral, fizeram pressão para que houvesse confinamento e para que as pessoas recolhessem, e nós fomos sentindo que o número de refeições estava a diminuir gradualmente, e a Eurest também prontamente se preparou para tentar esgotar de uma forma completamente ilegal  as férias às pessoas, não as podia obrigar a fazer férias até Maio compulsivamente, e assim foram pressionando as pessoas. Algumas aceitaram, outras não. E foram também percebendo outras necessidades noutras cantinas que não abrandaram como é o caso do Instituto Português de Oncologia, que também é deles e foram abrandando e deslocando as pessoas. Declararam lay-off a 27 de Março, com início a 1 de Abril, e a partir dessa altura as unidades estiveram muito reduzidas em termos de força laboral. Unidades como a nossa, que para aquelas refeições deviam ter cinco ou seis pessoas, estiveram a trabalhar com  duas ou três pessoas, os empregados mais baratos, as pessoas que estão no início de carreira, e puseram  a gente quatro meses em casa. Depois em Agosto acabaram de esgotar as férias e deixaram as pessoas trabalhar dois meses e avançaram com este despedimento colectivo. No meio desta situação admitiram às escolas com vínculos precários mais de 200 pessoas, só para o contrato com a Câmara Municipal do Porto. Foi uma forma de descartar as pessoas. No caso da minha unidade foram os indesejáveis ou os que ganham mais.
 
B - Como foi a abordagem do director no que respeita ao aviso do despedimento? 
 
T - No meu caso eu recebi uma carta, a dizer que estava dispensado do ponto, da assiduidade, e a dizer que ia iniciar um processo de despedimento colectivo. Uma carta registada, sem que o director abrisse a boca, tomando a decisão de quem queria despachar sem qualquer  aviso prévio. Com outros colegas de trabalho de outra unidade, com outro director, o director deu-se ao gozo de entregar as cartas pessoalmente a quem queria despachar, assediando assim as pessoas. Avisaram o sindicato mas não avisaram os delegados sindicais. 
 
B - O sindicato tem feito um acompanhamento de todo o processo? 
 
T - Sim. Aconteceu um episódio interessante. Na sequência de uma visita à Efacec, na Maia, para realizar um plenário com os trabalhadores dessa cantina,  no horário da pausa de almoço, impediram de entrar um dirigente sindical, alegadamente por instruções da Eurest e cobertura da Efacec,  e isso acabou por surtir um efeito adverso: os trabalhadores, face à proibição de entrada, dirigiram-se à rede de vedação da fábrica, e nesse momento tiraram as suas dúvidas sobre o processo de que estão a ser vítimas e elegeram um delegado sindical para os representar no processo. Quem quiser recolher uma indemnização, o jurista presta esse serviço, e se estiverem dispostas para lutar e realizar manifestações, o sindicato também apoia. Relembro que a decisão das duas empresas é ilegal, o direito à actividade sindical no interior da empresa é um direito fundamental dos trabalhadores, garantido pela Constituição da República Portuguesa e pela Lei. Agora, é aguardada uma reunião do sindicato com a administração da empresa. 
 
- Em última análise, como estão as condições actualmente? E qual a sua opinião em relação a esta decisão da Eurest? 

T - A Eurest tem reprimido as pessoas das mais variadas formas. Neste momento as refeições são menos, as pessoas são menos, mas o serviço é muito mais. Com as desinfecções e todos os procedimentos do covid, o trabalho em vez de diminuir, aumentou, entre as onze da manhã e as duas da tarde é diabólico, são muitos procedimentos! Quando esta crise começou, não interessava muito quem a tinha despoletado. Se os chineses ou os americanos, interessava era saber quem iria ganhar com isto. E a Eurest vai tentar aniquilar completamente as empresas da concorrência. 
 
Como podemos constatar, não há nenhum motivo válido para a empresa recorrer ao despedimento colectivo, e os motivos alegados são falsos! Estas são consequências inevitáveis das vestes do capitalismo.
 
A empresa alega o términos dos contratos para despedir os trabalhadores, mas para isso bastaria não concorrer a novas concessões. O capitalismo promove isso para beneficiar os patrões! 
 
A empresa alega ter trabalhadores a mais em algumas unidades, mas até tem trabalhadores a menos, face à crise sanitária e às tarefas acrescidas de higienização e desinfecção. Mas o capitalismo arroga-se de tudo para poder impôr a sua posição de opressão aos trabalhadores!
 
A empresa contratou centenas de trabalhadores através de empresas de trabalho temporário para o mercado escolar e outros, depois de ter alegado que não tem postos de trabalho nas zonas mais afectadas com a medida. O capitalismo mente para vencer, sem olhar a meios vai pisando e humilhando os seus subordinados! 
 
A empresa alega o encerramento de algumas unidades por decisão das concedentes, mas pode transferir os trabalhadores para outras que estão a precisar de pessoal. O capitalismo ignora, faz o que bem lhe apetece. Tem como objectivo a obtenção cada vez maior e desenfreada de lucros! Mas apenas até ao dia em que se instaurar uma revolução comunista! Que será uma inevitabilidade histórica , atingindo uma sociedade sem classes! 
12Nov2020
Benjamin
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