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PAÍS

CIFIAL:

A ACT de Viseu Protege o Patrão…

 

(Do nosso correspondente em Santa Comba Dão) A Autoridade local de Viseu para as Condições do Trabalho (ACT) abandonou a sua competência em matéria de fiscalização do cumprimento das normas laborais por parte das entidades patronais da Cifial – Empresa Cerâmica SA., de Santa Comba Dão, deixando os mais de 70 operários da empresa à sua sorte.

Muitos trabalhadores da empresa têm-se deslocado, individual ou colectivamente, à ACT de Viseu, para protestarem contra as ilegalidades cometidas pela administração, tanto nas questões salariais como nas questões de segurança, saúde e higiene no trabalho.

Alguns desses trabalhadores, assim que identificam a empresa onde tal acontece, e se diz que é a Cifial, logo veêm a directora da ACT mudar de opinião e não dar respostas claras ou não tomar qualquer posição.

A verdade, porém, é que são extremamente graves as situações em que vivem e trabalham os operários na Cifial de Santa Comba Dão.

Ao salário mínimo que recebem, é-lhes logo retirado o subsídio de almoço, quer almocem ou não na fábrica, operação que é totalmente proibida desde os tempos do acto colonial em África. Com este roubo praticado à boca do pagamento, o operário leva para casa quatrocentos e poucos euros.

Depois da passagem da brigada do Luta Popular Online, jornal do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), pela fábrica, apelando à justa luta de todos os operários portugueses pela jornada das 35 horas semanais – o que aconteceu no passado dia 6 de Maio –, mandou o patronato afixar na fábrica uma informação referente à actualização de categorias e salários, a partir de final do mês de Maio, o que causou uma certa agitação entre os operários, pois alguns deles estão há doze e quinze anos na mesma categoria…

Tudo aponta para que a administração se prepara para chamar os operários um a um, tentando impor a cada um deles uma espécie de contrato individual com salários de miséria. Entretanto, deixou logo de haver horas extras.

Nós, operários, devemos escolher a nossa Comissão de Trabalhadores para representar todos os operários da fábrica nesta luta, onde a família Ludgero Marques e o Fundo Português de Recuperação de Empresas tentarão uma vez mais ludibriar os 70 trabalhadores da Cifial.

A nossa nova Comissão de Trabalhadores deve exigir da Autoridade local de Viseu para as Condições do Trabalho que obrigue os seus agentes a deslocarem-se a Santa Comba Dão para verificarem as condições de insegurança, trabalho e higiene dos operários, sujeitos a poeiras, ruídos ilegais, calor intenso, deslocação de pesos excessivos e repetitividade da actividade com consequências sérias para a saúde.

É preciso distribuir imediatamente equipamentos de protecção individual, como auriculares para protecção auditiva, luvas, óculos/viseiras, botas de biqueira de aço que evitem as consequências da queda de uma caixa de sanita ou de bidé, e mesmo as máscaras descartáveis, que devem ser substituídas com regularidade e não utilizadas por quatro e mais dias sucessivos.

Há dezenas e dezenas de operários a trabalhar sem a formação devida, assim como há dezenas e dezenas de operários que estão colocados em sectores para os quais não receberam a formação adequada. Há operários contratados como aprendizes de ajudante de oleiro, quando essa categoria de profissional, abaixo de aprendiz, não existe e é apenas uma maneira da família Ludgero Marques roubar dinheiro aos trabalhadores.

Sem a formação devida, há operários que utilizam empilhadores e até a telescópica (também um empilhador), sujeitando-se a acidentes de trabalho gravíssimos e mesmo mortais.

As instalações da fábrica são deficientes e têm falta de limpeza, visto que a limpeza é feita apenas por três funcionários da fábrica, que recebem unicamente duas horas extras, pagas como ajudas de custo…

As reparações dos balneários, desentupimentos de fossas e colocação de chapas nas vigas, são feitas pelos operários da fábrica, que não têm nenhuma formação para o efeito.

O telhado está em risco permanente de queda.

As instalações sanitárias têm falta de limpeza e devem ser totalmente substituídas. Os Polibans estão partidos e não escoam convenientemente as águas, de tal modo que muitos operários só tomam banho quando chegam às suas próprias casas.

Ora, a Autoridade para as Condições do Trabalho de Viseu está a par destas queixas dos operários, mas nunca fez nada para impor à família Ludgero Marques e ao Fundo Português de Recuperação de Empresas as alterações urgentes destas indevidas, perigosas e insalubres condições de trabalho.

Operários da Cifial de Santa Comba Dão, uni-vos! Nós, em Vosso nome, vamos exigir à ACT de Viseu que inspecione imediatamente a vossa fábrica e obrigue os patrões a tomar as medidas e a acatar o respeito que se impõe relativamente aos direitos dos trabalhadores.

Qualquer acidente que possa ocorrer na vossa fábrica é da responsabilidade exclusiva da família Ludgero Marques, do Fundo Português para a Recuperação de Empresas e da ACT de Viseu, que aliás agora, depois da publicação desta denúncia, não poderão mais dizer que não estavam alertados para os perigos e ilegalidades da família Ludgero.

Viva a semana das 35 horas:

35 Horas Semanais

7 Horas por Dia

5 Dias por Semana

2 Dias de Descanso Semanal (Sábado e Domingo)

25 Dias Úteis de Férias por Ano

Viva a unidade dos operários da Cifial!

 

Santa Comba Dão 19.05.2016


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