PAÍS

Genocídio de idosos em Reguengos de Monsaraz denuncia natureza criminosa do Estado

Um Estado e um primeiro ministro que se mostram indiferentes às causas que levam à morte de centenas de cidadãos e cidadãs – incluindo crianças, adultos e idosos – e, pior do que isso, as atribuiem sempre a terceiros ou a fenómenos aleatórios, só pode ser classificado como um Estado assassino ou genocida.
E tem sido esse o comportamento deste Estado, ora dominado pelo PS e suas muletas do PCP, BE, Verdes e PAN. Quem não se lembra de António Costa a defender que teria sido o “desleixo” das populações e, até, de algumas empresas concessionadas, que não teriam cumprido as “disposições legais”, o responsável pelos incêndios de Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra ou Pampilhosa da Serra onde perderam a vida – foram assassinados – mais de uma centena de elementos do povo?
António Costa sempre demonstrou a frieza típica dos que tiram a vida sem piedade ou sem empatia pelas vítimas. E este comportamento, este perfil do seu carácter, revela-se, uma vez mais, nos eventos que ocorreram no Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão da Silva, em Reguengos de Monsaraz, vila onde faleceram cerca de 18 pessoas – 16 utentes, uma funcionária do lar e um homem da comunidade.
Para além destas mortes, o surto – que de forma absolutamente surreal foi considerado resolvido pela “Autoridade de Saúde” – provocou quase duas centenas de casos de infecção, a maioria no lar – cerca de 100 utentes e 30 profissionais –, para além de cerca de 60 membros da comunidade.
É sem qualquer hesitação que classificamos estas mortes como puro assassinato, mesmo genocídio, quando somos confrontados com o resultado de uma primeira auditoria que nos revela que grande parte das mortes ocorridas no lar, faleceram não da doença Covid-19, mas de desidratação e de incúria, num quadro onde “faltava tudo no lar”, que para além de não possuir um plano de contingência, revelava enormes carências no quadro de médicos e enfermeiros – em número manifestamente abaixo do exigido por lei. Um quadro que, inclusivé, facilitou e promoveu a propagação da infecção ao resto da comunidade.
Apesar de se saber que o Estado, que tem por missão e dever, tutelar e fiscalizar toda e qualquer instituição – pública, privada ou de natureza social – de acolhimento de idosos, Costa, com a displicência e arrogância criminosa que lhe são características, vem sacudir a água do capote das responsabilidades que o seu governo tem por não criar as condições para uma fiscalização adequada ao modo de funcionamento destas instituições.
Vários foram os artigos que o Luta Popular online publicou a denunciar o autêntico genocídio a que a população mais idosa, muitas das vezes forçada a recorrer aos lares de 3ª idade, estava sujeita, quer por força de infecções por SARS-CoV 2 – e, sobretudo, da doença Covid-19 –, quer por força das degradantes e humilhantes condições de higiene, de alimentação e de cuidados de saúde que lhes eram negadas.
Reguengos de Monsaraz vem confirmar todas as denúncias que fizemos de um Estado que fecha os olhos – quando não alimenta – a corrupção e o compadrio, que acarinha comportamentos que replicam a arrogância fascista do quero, posso e mando, tão típica do seu chefe, António Costa.
Reguengos de Monsaraz é um exemplo típico de como uma entidade chamada Estado é capturada pelo nepotismo, pelo amiguismo e por todo o tipo de cadeias de favores, que asseguram que todos os envolvidos – seja em órgãos centrais, regionais ou locais – se “protejem uns aos outros” face à crítica ou à denúncia, por melhor fundamentada que ela esteja.
E, o que faz, neste quadro, o presidente dos afectos, Marcelo Rebelo de Sousa? O que melhor sabe fazer! Assobia para cima e para o lado, “proteje” os seus pares, protege António Costa, os seus ministros e secretários de estado, o seu governo!
Um governo que, para escamotear o caos em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o seu “modelo de gestão” capitalista, decidiu alinhar pelo diapasão dessa organização mafiosa que dá pelo nome de OMS (Organização Mundial da Saúde), impondo um confinamento assassino dos trabalhadores que originou uma outra pandemia – estima-se que as mortes que se registaram a mais em igual período de 2019 e 2020 sejam 4 a 5 vezes superior às que são, muitas das vezes de forma suspeita, atribuídas ao Covid-19 –, muito mais séria e mortífera, que foi a pandemia dos que morreram por falta de assistência e de acesso a actos de cirurgia, de consultas de urgência, de cuidados que, supostamente, o Estado tem a obrigação de assegurar.
Pandemia paralela essa que já suscita abundantes declarações de intenção, por parte de advogados e profissionais da saúde, em processar o Estado por este tudo ter feito para que essa pandemia muito mais assassina do que o Covid-19 esteja a atingir os números que António Costa e o seu governo insistem em esconder de todos nós, números que são manifestamente superiores ao que são atribuídos às mortes registadas pela DGS, alegadamente da responsabilidade daquele vírus.
A consciência cada vez mais elevada de que não se pode manter um governo cuja natureza e carácter seja, por definição, genocida e assassina, impiedosa e com absoluta ausência de empatia para com as populações que sofrem devido à ausência de condições de vida dignas – e, sobretudo, demissão completa da função fiscalizadora do Estado –, só nos pode conduzir à exigência de demissão imediata de António Costa e de todo o governo que dirige, por criminosa incúria e desprezo pelas vidas dos cidadãos que o Estado, por definição, é suposto proteger.

23Ago2020

LJ

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