PAÍS

Um Prémio Ambiental para o Radar do Areeiro…


Toda a gente sabe que o maior mamarracho construído até hoje na Região Autónoma da Madeira foi o Radar do Areeiro.

O Radar nº 4 da Força Aérea Portuguesa, instalado a 1813 metros de altitude no Pico do Areeiro, liquidou a fulgurante beleza da paisagem da cordilheira central da Madeira, destruiu a zona de nidificação da freira madeirense (Pterodoma madeira), pequena ave marinha endémica da ilha e em vias de extinção, contando actualmente com apenas 30 casais, e militarizou com dentes metálicos agressivos a liberdade do nosso olhar.

Pois o maior atentado ambiental até hoje cometido na Madeira acaba de ganhar o prémio do ambiente, conferido pela parelha de energúmenos que dirige nos dias de hoje o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional.

É o humor negro dos ministros José Alberto de Azeredo Lopes, ministro da defesa nacional, e João Pedro Soeiro Matos Fernandes, ministro do ambiente, no seu verdadeiro e mentecapto esplendor…

A mera instituição de um galardão ambiental a outorgar pelo ministro da defesa é já em si, e só por si, um ultraje à inteligência do cidadão português. Mas no caso do Radar do Pico do Areeiro, a atribuição do prémio, além de ultraje à inteligência, é também e sobretudo um insulto provocatório a todos os madeirenses e porto-santenses.

O galardão foi criado em 1993 por aqueles dois ministérios, e tem regulamento no despacho nº 8383, de 10 de Maio de 2007. Na atribuição do prémio à estação de radar da Força Aérea do Pico do Areeiro, o humor negro dos dois ministros chalaceia com o próprio ordenamento jurídico institucional.

O prémio, diz o regulamento, destina-se a galardoar a unidade, estabelecimento ou órgão das forças armadas “que melhor contributo preste em Portugal para a qualidade do ambiente”. Ora, como o radar do Areeiro, por definição e evidência, em nada contribui para a qualidade do ambiente, segue-se que os dois ministros devem ter entendido poder conceder o galardão à Estação de Radar nº 4 da Força Aérea, porque a Madeira não faz parte de Portugal… Porque se, para eles, a estação estivesse instalada em território português, o júri, por força da norma 1.6 do Regulamento do Prémio, teria de rejeitar a proposta, porquanto manifestamente a Estação de Radar do Areeiro não contribui para a qualidade do ambiente.

Mas tanto o júri como os dois ministros devem estar redondamente loucos. É que galardoaram uma estação de radar que é, neste momento, um monte de sucata a coroar um dos três grandes picos da Cordilheira Central. Na verdade, a estação foi activada no dia 9 de Maio de 2013, mas entrou de imediato em falência técnica, o que não admira, porquanto neste País nada funciona à primeira e a estação foi comprada, chave na mão, aos espanhóis…

Desde o primeiro dia, o reactivamento da estação tem sido prometido e adiado sucessivamente, acabando por estar marcado para o final deste ano de 2016. Mas com o prémio ambiental veio também o adiamento da actividade da estação por mais seis meses. Quem não admirará os nossos ministrecos...

O júri que atribui o Prémio deve, por força do regulamento (norma 6.4), reunir entre os dias 1 de Abril e 31 de Maio. Desta vez, é óbvio, reuniu no primeiro de Abril…

Ler mais Radar da Madeira: Um Monte de Sucata no Pico do Areeiro.

 18.11.2016

Arnaldo Matos

 

 

 


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