PAÍS

A intolerável traição de Seguro

Ao assinar o recente acordo com o governo de traição nacional PSD/CDS, Seguro acaba de mostrar o que nunca deixou de ser: um oportunista que apenas espreita a ocasião de ir para o poder coligando-se com o PSD ou/e CDS, para aí prosseguir uma política que, como não se cansa de repetir, permita pagar a dívida.

Depois de ter ensaiado um simulacro de combate ao governo – para não se desmascarar imediatamente -, pedindo a sua demissão e apresentando mesmo uma moção de censura, Seguro nunca abandonou o seu oportunismo genético que se revelou logo pela não demarcação da governação de Sócrates.

Foi assim que o PS de Seguro, no momento em que mais se exigia e impunha o alargamento e fortalecimento de uma frente democrática e patriótica para o derrube do governo, acaba por aceitar uma proposta de Cavaco Silva para discutir um compromisso nacional a longo prazo com o PSD e CDS, apresenta no parlamento propostas que vêm a ser aceites pela coligação governamental, propõe-se colaborar com o governo no regresso aos mercados desde que à irlandesa e não descarta cooperar com Passos e Portas na discussão de um eventual programa cautelar, disponibilidade esta que chegou mesmo a ser saudada por Marcelo Rebelo de Sousa.

Entretanto, o PS responsável de Seguro mete no lixo a exigência de demissão do governo e, em contrapartida, força até um acordo com Passos Coelho na redução da taxa do IRC para (pequenas e médias) empresas com lucros mais reduzidos, abandonando mesmo o que considerava como condição para um tal acordo: a redução do IVA e a eliminação da sobretaxa extraordinária de IRS.

Fazer um acordo com um governo cada vez mais isolado, ademais numa matéria que não tem sequer efeitos para o que Seguro invoca como grandes beneficiários desse acordo – reduzir a taxa de IRC quando as pequenas empresas não têm sequer lucros !? -, fazer um acordo destes não representa senão uma reles traição que retira qualquer possibilidade, aos olhos dos que ainda tivessem ilusões nisso, deste PS poder integrar qualquer alternativa democrática e patriótica que, entre outras coisas, imponha o não pagamento da dívida.

Quer isto significar que o objectivo do derrube deste governo, por que uma esmagadora maioria do povo português se manifesta, passa inevitavelmente por isolar os Seguros que, sob a capa de opositores a esse governo, mais não visam do que continuar a sua política, estendendo a mão aos partidos da actual coligação governamental quando se apanharem no poder.


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