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Depois do Sufrágio Eleitoral Presidencial

As eleições realizadas no Domingo, dia 24 de Janeiro, para escolha do presidente da República serviram apenas para criar a ilusão, como é próprio nas democracias burguesas, que naquele momento, a população tem o poder e a liberdade de escolher quem a vai representar.

Contudo, desde o dia em que António Costa apresentou a candidatura de Marcelo na Autoeuropa ( Maio de 2020) que as cartas estavam lançadas e os votos contados. Desde esse dia, que o pacto de direita e de submissão ao imperialismo europeu ficou estabelecido. E todos o sabiam, incluindo Ana Gomes e toda a falsa esquerda que gritando histericamente contra o perigo da direita, mais não fizeram do que estender a passadeira a essa direita e extrema direita.

Efectivamente, foi o apoio do PS que veio permitir a divisão da direita sem problema. A direita liberal e a extremista, antes acolitada na candidatura de Marcelo, ficaram com condições para e revelarem sem pejo nem risco.
Por seu lado, a divisão da "esquerda", que não tinha dúvidas em considerar de conversa Marcelo um perigo, mostrou-se a táctica adequada à vitória, afinal desejada por essa falsa esquerda, de Marcelo,ou, se não era isso que queriam, a táctica da burrice extrema e nem o pretenderem ganhar espaço e projecção para as autárquicas a pode justificar pelas consequências trágicas que tem. Graças a esta táctica da esquerda, Costa fica nas suas sete quintas: à vontade para aplicar medidas fascistas, argumentando com a ameaça fascista! (parece ser esta a táctica mais moderna da burguesia em todos os países ocidentais), apoiado naturalmente pelo BE, que perdeu dois terços dos votos, e pelo PCP, que até no Alentejo fica atrás do Chega!
Ana Gomes deixando-se enrolar nas lutas pelo poder no interior de um PS dividido, não tendo sido capaz de organizar uma candidatura que unisse o maior número possível de elementos da esquerda democrática, perdeu o carácter de uma candidatura independente e perdeu, relativamente às eleições de 2016, 50% da votação obtida por Nóvoa. Ana Gomes assumiu a responsabilidade da sua derrota e, nesse sentido, pela vitória de Marcelo, à primeira volta. Fez bem. Veremos as lições que retira.
Assim, como se previa e foi profusamente trabalhado e divulgado pela comunicação social para que os portugueses interiorizassem bem a ideia, Marcelo foi eleito à primeira volta, com 60,07 % dos votos expressos, ou seja um quarto dos eleitores (não estamos a considerar o número de falsos inscritos, cerca de 1,1 milhões.). Durante os próximos cinco anos, vamos ter um presidente da República que representa apenas um quarto do eleitorado, mas que se sente legitimado para exercer o poder ( ideia também insistentemente divulgada pela comunicação social).

É o próprio Marcelo quem defende essa legitimação, desde logo quando afirma que a votação obtida não representa um cheque em branco, ou seja, com essas declarações, e ao contrário do que se possa pensar, Marcelo pretende deixar bem claro que cada eleitor através do seu voto estabeleceu com ele, com a sua política, que o mesmo é dizer com a sua e com a do Costa, um compromisso que lhe dá o direito de tomar as decisões que entender. Por outro lado, quanto à abstenção, que, ele sabia ser elevadíssima, sentenciou, ainda antes do acto, que estes eleitores deixaram de ter legitimidade de contestarem ou de se pronunciarem, já que, segundo ele e no seu interesse, abster-se é deixar que os outros decidam; portanto, mais de metade dos portugueses deixaram de ter direito à palavra!

Ora, é aqui que Marcelo se engana. E é exactamente neste ponto que nos devemos focar. Mais de metade do eleitorado não votou, ou por sua decisão, ou porque a isso foram obrigados por imposição do sistema, como já denunciámos. No conjunto, votos brancos, nulos e abstenção somam 62, 55 %. E estes são, na sua maioria, votos de protesto contra uma política que não lhes serve, que os obriga a ter de sobreviver todos os dias, que os persegue e esmifra diariamente, que os lança para o desemprego e retira direitos, que não lhe garante a segurança mais elementar, como no caso da saúde, que fomenta a corrupção e que a única saída que lhe oferece é a fome e a miséria, e a opressão. É neles e com eles que também temos de confiar, organizar e lutar.

Os resultados destas eleições só têm uma leitura: a exploração e a opressão vão atingir níveis insuportáveis e desencadear lutas que exigem a organização dos operários e trabalhadores. A primeira tarefa que se nos coloca é reforçar e reorganizar o Partido. É divulgar o Marxismo, e lutar contra o modo de produção capitalista.

Morte ao Imperialismo!

Viva o Comunismo e o Internacionalismo Proletário!

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