PAÍS

Marcelo, o Dupont de Costa
Que ninguém se iluda! Costa pode ter travado o ímpeto fascista de se aproveitar do clima de pânico e terror que as burguesias em todo o mundo têm vindo a impôr aos operários e aos trabalhadores para os desviar das lutas que têm de travar para se oporem à exploração e ao estado caótico a que o capitalismo levou o Planeta, mas não perdeu os seus intentos.
Recuou, é certo, perante uma ampla e clamorosa oposição às medidas que se preparava – e prepara ainda – para fazer aprovar na Assembleia da República. Mas, tal como em outras ocasiões, fê-lo apenas para, tal como o predador, melhor preparar o salto que dominará a sua presa para a sujeitar aos seus caprichos ditatoriais.
Perder uma batalha não é perder uma guerra. E, esta lei universal, tanto é válida para as forças da revolução, como para as da contra-revolução, neste momento lideradas pelo PS de Costa, que está manifestamente a reagrupar forças para desferir novo ataque contra quem trabalha.
É neste contexto que temos de analisar e perceber a iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa em levar a cabo uma série de encontros com “actores” da sociedade civil – que vão desde sindicatos revisionistas e amarelos, até à ministra da Saúde, Marta Temido, passando pelos antigos e pelo actual Bastonário da Ordem dos Médicos, pelos Bastonários da Ordem dos Farmacêuticos e dos Enfermeiros, bem como pelas associações patronais.
E Marcelo diz ao que vem. “Ouvir” a “sociedade cívil”, mas também a “comunidade científica”, a fim de gerar “consensos”, numa hora em que é, segundo ele, necessário encontrar “soluções mais radicais”, porém “consensuais”, para não correrem o risco de serem um “fracasso”.
É a recriação da estratégia do polícia bom e do polícia mau. Ambos de acordo que é necessário malhar na classe operária e nos trabalhadores, por terem a desfaçatez de se oporem a uma política de saúde que lhes nega os cuidados a que têm direito, ao mesmo tempo que escamoteiam a liquidação sistemática do SNS com uma crise pandémica que, tendo que se respeitar os condicionamentos a que obriga o bom senso, não são de molde a “justificar” medidas que levem à suspensão de direitos, liberdades e garantias que foram conquistados à custa de muita luta, de muito suor, sangue, lágrimas e, até, morte.
Costa, que faz de polícia mau – papel que, para além de lhe assentar que nem uma luva, não o incomoda de todo –, tem agora a ajuda do “polícia bom” que é o “presidente dos afectos”, Marcelo Rebelo de Sousa, que propõe substituir o cacete que Costa brame, pela “consensualidade”. Isto é, apesar de abandonar os beijinhos e os abraços avança com a ideia de ser necessário o uso de um cacete ... “almofadado”!!!
Quem nos protege contra este regime policial? Contra este vírus que nos deixa loucos! Contra este número de circo! Mesmo os partidos da “oposição” estão de acordo com este abuso de poder – incluindo, ou sobretudo, a chamada “esquerda parlamentar. 
Abandonadas a si próprias, a classe operária e os trabalhadores têm de caminhar tranquila, mas firmemente, para uma racionalização das escolhas. Porque são a força do progresso.
É vital restabelecer a democracia, essa é a solução. E, como sempre, isso começa nas ruas que lhes pertencem.
19Out2020
LJ
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