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Costa & Costa - O regresso do efeito ping-pong agravado pelo confinamento policial

O conselheiro António Costa Silva, uma espécie de “super-Mário” para o primeiro-ministro do governo português, já terá apresentado um primeiro “esboço” do seu “Programa de recuperação” para os próximos anos. Apesar dos poucos detalhes – que fez cirurgicamente transpirar para a opinião pública e, sobretudo, publicada –, lá vai avisando que a recessão se situará nos 12% no final de 2020, ao contrário dos anunciados 6,9% que o seu homónimo Costa, chefe do governo que está a assessorar, garantiu ainda há bem pouco tempo. Tudo gente de “contas certas”!

No documento em causa, que exibe o pomposo título de “Visão Estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030”, o super-Mário vai avisando para que “não vale a pena ter ilusões”! E não vale mesmo!

Tal como todos os restantes cúmplices mundiais da exploração capitalista, este Costa que não é primeiro-ministro, começa logo por preparar o terreno para a mais do que certa eventualidade do fracasso do seu plano. Isto é, que a crise pandémica do COVID-19 “traz consigo uma profunda recessão económica que tem características globais e que vai ferir profundamente a nossa economia”! Voilà!

Uma meia-verdade que escamoteia o facto de que a crise do sistema capitalista, que é sistémica e que já se vinha a aprofundar muito antes da pandemia, apenas foi agravada por ela. E, vai daí, a receita do costume. Por um lado, dinheiro a rodos – em grande medida na base daquilo a que o governo, mandatário dos interesses da burguesia, classifica como “fundo perdido” – e, por outro, o já célebre “aperto de cinto”, claro está, para quem trabalha, para quem só possui a sua força de trabalho para vender.

 A recessão anunciada de 12%, representa 10 vezes mais o défice do ano passado, com consequências imediatas no agravamento da “dívida soberana” – que, estima-se agora, ultapassará os 140% do PIB. Vamos assistir ao regresso do “boomerang” económico que o governo português lançou contra os operários e os trabalhadores em Março último através de um confinamento assassino imposto.  

O propósito de toda esta encenação mediática e parlamentar, é o de condicionar a opinião pública no endossar da responsabilidade por este défice astronómico. Quando a comunicação social vendida tiver inculcado profundamente a ideia de que o governo confinou drasticamente a população e paralisou a economia para o “bem-estar” da população, o Plano do super-Mário Costa dará ao primeiro-ministro Costa as ferramentas para que possa ser mais eloquente sobre as formas de reembolsar a dívida portuguesa.

Quer os défices catastróficos, quer as dívidas gigantescas, revelam que é através dos Estados que os grandes capitalistas monopolizam gradualmente grande parte da economia nacional e forçam a circulação de capital nesses períodos de preparação para a guerra mundial imperialista para a qual Portugal já foi chamado, fazendo integrar tropas suas em cenários dessa guerra que já ocorre em várias regiões do globo.

Afirma  Costa e Silva que “não vale a pena ter ilusões” E não vale mesmo! A classe operária e os trabalhadores começam a tomar consciência de que, enquanto o desemprego, a precariedade, a baixa de rendimentos devida ao regime de lay off – com o corolário de miséria e indignidade que tal acompanha –, são a receita que a burguesia lhe reserva, os milhares de milhões de euros que a “Europa subsidiária” vai injectar na economia de casino portuguesa, são destinados, única e exclusivamente, aos detentores do capital, com vista a assegurar-lhes uma “reconfiguração” tranquila e a contento da sua necessidade de acumulação capitalista.

É por isso que já começámos a assistir a uma guerra entre as diferentes facções da burguesia, que fazem chegar-se à frente toda a sorte de economistas e “especialistas” do grande capital e do sector privado, regressados do seu torpor, e que esperam uma contracção recorde do PIB real de mais de 7%  e uma queda “sem precedentes” no primeiro semestre de 2021 para Portugal, para se arvorarem em “salvadores da pátria” e detentores da fórmula mágica que retirará Portugal deste autêntico atoleiro em que o sistema capitalista o remeteu.

Uma coisa é certa. Este plano tem o condão de sublinhar, sem o querer, aquilo que o PCTP/MRPP sempre denunciou. A destruição do tecido produtivo, que foi a condição imposta para que Portugal entrasse no “clube dos ricos” e beneficiasse de alguma migalhas do seu orçamento, fez com que nos transformássemos num paíse de “serviços”, e os nossos trabalhadores fossem remetidos à condição de “criados de libré”. O resultado está à vista. É precisamente o sector de serviços o mais afectado, o sector que maior número de empregos fornece – restauração, turismo, etc., e que maior número de desempregados regista.
Do quadro de destruição do tecido produtivo que a burguesia portuguesa aceitou levar a cabo, resulta que, segundo dados da PORDATA, cerca de 70% da população activa do país ocupe cargos no sector terciário em finais de 2019.

Em contrapartida, ainda segundo aquela fonte, os trabalhadores do sector primário representavam em finais do mesmo ano 5% da população activa. Só entre 2009 e 2019, verificou-se uma perda de cerca de 56% de efectivos entre os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, pesca e floresta.

Agora que por toda a Europa se anuncia a “necessidade” de “reindustralizar” o continente, como parte integrante e decisiva da “reconfiguração” do sistema capitalista, assistimos à mesma postura de sempre por parte dos governos da burguesia em Portugal – a de se subjugarem aos ditames do centro de decisão europeu – a UE – no que diz respeito ao modelo de “divisão internacional de trabalho” que mais convém aos países dominantes nesta associação de rapina.

O que já se vai conhecendo do plano do super-Mário Costa Silva é disso um exemplo insofismável. Aeroporto, só um regional, tipo apeadeiro, Nada de “veleidades” quanto a um aeroporto internacional de primeira linha (admitem que a centralidade aeroportuária da Península Ibérica tenha de ser Madrid). Quanto a investimentos no sector industrial, só naqueles que interessem ao directório europeu e proporcionem mais-valias exponenciadas, isto é, maior exploração dos operários e trabalhadores.

Operários, trabalhadores, inquilinos, desempregados, portugueses pobres, milhões de pequenos trabalhadores, saberão o preço dos "presentes" que terão que reembolsar através dos seus impostos. No que diz respeito aos presentes sumptuosos oferecidos aos bilionários da indústria e das finanças, eles serão apoiados pelo Estado dos ricos ... que, mesmo que ele o ignore, não cria nenhuma riqueza, apenas emitirá falsos títulos que amanhã não terão qualquer valor de mercado.

E é precisamente para  isso que o governo de Costa e Leão se preparam. Para administrar essa colossal dívida, o governo emitirá um nível sem precedentes de títulos de longo prazo. Noutras palavras, a falência técnica do governo português será apenas adiada ... mas a morte está à espreita na curva seguinte.  

O proletariado português não tem de contrair empréstimos ou oferecer presentes ao governo de Costa ou a outros governos. A crise económica sistémica global já havia começado antes da pandemia e antes do confinamento paralisante. Estas medidas de confinamento são preparativos para a guerra em preparação e apenas agravam a descida ao inferno, com a qual os governos querem sobrecarregar-nos.

É por isso que os governos mantêm a pressão e a chantagem e impõem a segregação social totalitária sobre nós. A responsabilidade do proletariado mundial é recusar-se a pedir caridade ao Estado dos ricos, recusar qualquer medida de confinamento e segregação social e exigir que nos seja permitido trabalhar e manifestar em paz enquanto trabalhamos para estar prontos para enfrentar a crise económica sistémica global de uma forma definitiva. Isto é, através da destruição do modo de produção capitalista e do sistema que assenta na exploração do homem pelo homem.

Não temos nada a esperar destes arautos da “salvação”!

11Jul2020

LJ

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