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Esquerda parlamentar unida para aprovar documento fascista!

Por definição um partido de esquerda que se arroga defensor dos interesses de operários e trabalhadores, tem por missão histórica opor-se com determinação a todo e qualquer tipo de poder que a classe que domina o modo de produção e dita as leis que possibilitam a exploração daqueles, detenha.

Um partido de esquerda tem a missão histórica de destruir o modo de produção capitalista e acabar com a escravatura assalariada. A linha de demarcação é, portanto, claríssima! Todo o partido que, arrogando-se de esquerda se bandeia com a classe dominante, participando e colaborando com o sistema que ela gere,  é um partido da traição, é um partido de direita!

Pois bem, hoje tornou-se ainda mais claro para os operários e trabalhadores portugueses qual a natureza de classe de PCP/BE/Verdes (e Joacine Katar Moreira), durante a votação do decreto enviado pelo presidente da República para o parlamento e que institui a emergência nacional, nos termos em que é proposta pelo o inefável Marcelo,  na Assembleia da República. E a conclusão só pode ter sido a de que estes são partidos de direita disfarçados – para melhor os enganar – de esquerda!

Como qualquer miúdo a frequentar o primeiro ano do ciclo teria compreendido sem qualquer dificuldade, abster-se é o mesmo que votar favoravelmente uma medida. Portanto, votar a favor ou abster-se – como fez, de forma miserável e oportunista o PCP/Verdes – tem o mesmo peso e consequência do voto a favor de BE e PAN.

Os votos de ambos caucionaram, de uma forma ou de outra, a decisão absolutamente fascista de suspender todas as garantias constitucionais, para satisfazer a execução de uma lei da emergência nacional, diz-se, elaborada para contrariar a evolução da pandemia de COVID-19 em Portugal  já que, consideram, que a classe operária e os trabalhadores portugueses são maiores para votar em qualquer um daqueles imbecis, mas menores e sem pingo de responsabilidade para se comportarem perante uma crise pandémica da gravidade e amplitude daquela.

Aliás, o mesmo preconceito  que exibiu Marcelo, numa aparição televisiva em que fazia lembrar as “conversas em família” de outro Marcelo – o Caetano –, que assenta na crença da menoridade dos trabalhadores, tratados como desprovidos de consciência cívica, escamoteando que a lei de emergência nacional é o reconhecimento da falência de um governo e de um Estado que privilegia o interesse dos credores em vez de alocar todos os recursos financeiros à consolidação do SNS e ao tratamento e prevenção que exigem uma crise pandémica como aquela que vivemos.

Os votos – a favor ou de abstenção – caucionaram, também, uma perversão política sem precedentes desde o 25 de Novembro de 1975, quando um conjunto de forças democráticas se opôs – e desarticulou – uma tentativa de golpe social-fascista protagonizada pelo PCP e pelo seu secretário-geral de então – Álvaro Barrerinhas Cunhal.

Uma perversão política que, para amenizar as consequências gravosas da sua aplicação, vem afirmar que todas elas assentarão no...princípio da proporcionalidade! E quem é que irá determinar quais as proporções em que devem ser aplicadas as medidas de coação e repressão que estão previstas na lei agora aprovada? A polícia, que já saliva perante o livre arbítrio que lhe é conferido de utilizar indiscriminadamente o cacete e a arma de fogo? O governo que aprovou a lei? O Tribunal Constitucional? O presidente dos afectos transformado em caceteiro-mor? Os tribunais? O exército que vislumbra um monumental exercício militar de contenção territorial do inimigo?

Eis o que esta esquerda pindérica e traidora consegue parir. Um aborto! E depois, venham gritar fascismo nunca mais quando não se cansam de criar as condições ideais para que ele se instale...democraticamente!!!

18Mar2020

LJ

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