PAÍS

Declaração do estado de emergência – Costa confessa intentos ao canal de Balsemão!

Quando, no artigo que ontem publicámos nas páginas do Órgão Central do nosso Partido, o Luta Popular online, “Estamos decididamente contra a declaração do estado de emergência”  afirmávamos sem rebuços que “...medidas como o estado de emergência são potenciadoras de toda a sorte de abusos...”  e que  “...o objectivo principal da burguesia e do seu sistema capitalista e imperialista em todo o mundo...” ao aplicar este tipo de medida  é o de “...acautelar uma pandemia ainda mais demolidora...”, ainda António Costa não tinha ido à SIC, esta noite de 2ª feira, dar uma entrevista a José Rodrigues de Carvalho, no Jornal da Noite daquela estação.

Com um absoluto desplante, próprio de todos os títeres, o primeiro-ministro, a uma questão colocada pelo entrevistador a propósito das consequência do decretar de uma medida como o estado de emergência foi de uma meridiana clareza. Para além de ter confirmado aquilo que já havíamos referido no supracitado artigo, isto é, que  “...a burguesia sabe que a crise económica, monetária, industrial, financeira e comercial – que apenas se aprofundou com a pandemia de coronavirus –, potencia as insurgências populares que são o prelúdio das revoluções sociais...”, revelou, preto no branco, que tal decreto possibilitaria ao governo levar a cabo medidas como a requisição civil, prevendo desde logo a emergência de conflitos sociais e laborais decorrentes da crise pandémica do coronavirus.

Costa sabe que esta é um crise que tem tido o condão de acelerar e aprofundar a crise financeira e monetária do capitalismo em todo o mundo e, em particular, nos elos mais fracos do capitalismo e do imperialismo, como é o caso de Portugal, e que, portanto, será chegada uma altura em que o seu governo terá de replicar acções que já lhe são familiares como a da requisição civil ou da imposição laboral forçada.

Tudo medidas musculadas, como gosta de dizer, mas que não passam de práticas fascistas a que tem recorrido sempre em nome do interesse comum, escamoteando que as contas certas, o acrescentar de valor ou, ainda, a política de défice zero ou da almofada financeira proporcionada pelo excedente orçamental, são medidas que servem sobretudo, o grande capital, seja porque asseguram a mobilidade da força de trabalho, seja porque asseguram o financiamento dos capitalistas em desespero com os factores da crise.

A situação não poderia ser mais clara. Bruxelas impõe, Costa ajoelha e aceita, não sem antes fazer uma daquelas cenas de teatro em que é exímio, colocando Marcelo e o parlamento como principais responsáveis pelo decretar do estado de emergência. Tão ladrão é o que vai à vinha, como o que fica à porta a avisar se vem lá quem os prenda.

Se a medida, como tudo indica que será o caso, for avante após o Conselho de Estado que Marcelo convocou para o efeito para a próxima 4ª feira, serão todos coniventes e cúmplices com esta medida fascista – o presidente da república, Costa e a maioria dos deputados  (senão a totalidade) da Assembleia da República.

Reiteramos, por isso, que a classe operária e os trabalhadores, em Portugal como no mundo inteiro, devem opor-se de forma determinada a estas manobras, mormente a do decretar do estado de emergência.

Bem pode o capital e os seus governos fantoches – como é o caso do governo Costa/Centeno – virem tapar o sol com a peneira que de uma coisa a história nos dá a certeza. A de que esta crise – a terceira crise mundial do capitalismo e do imperialismo num curto espaço de tempo – levará, sem apelo nem agravo “... à destruição do modo de produção capitalista e ao fim da escravatura assalariada...”

16Mar2020

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