PAÍS

INTERVENÇÃO DO CAMARADA JOÃO ALEXANDRE, DEPUTADO DO PCTP/MRPP NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE LOURES

AS NOSSAS SAUDAÇÕES A TODOS OS PRESENTES e uma Saudação especial a todos os trabalhadores, democratas, revolucionários e verdadeiros comunistas que, neste concelho e no País, travaram um duro combate e, muitos deles, sacrificaram as suas próprias vidas, pelo derrube do regime fascista e a todos os que, após a queda da ditadura colonial-fascista de Salazar e Caetano, nunca guardaram ilusões sobre o novo regime pseudo-democrático surgido após o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, nem sobre a patranha traidora da aliança povo-MFA e prosseguiram até hoje incansavelmente a luta pela emancipação dos explorados e oprimidos, pelo socialismo e pelo comunismo.

Quando se assinala a data de 25 de Abril de 1974, cada classe tem naturalmente a sua posição e interpretação sobre os acontecimentos e o período histórico dessa altura.

Para a classe operária e ao trabalhadores em geral e para o PCTP/MRPP, que me orgulho de representar, nesse dia o que ocorreu não foi uma revolução mas um golpe de estado realizado por um movimento de capitães que surgiu em torno de reivindicações corporativas e que derrubou um regime a cair de podre, minado e acossado por um movimento revolucionário e popular em ascensão e pela luta de libertação dos povos das colónias e, ao mesmo tempo, abandonado por um sector mais esclarecido da classe dos capitalistas que via no regime um entrave à intensificação da exploração.

Porque nunca foi o seu objectivo fazer uma Revolução, o MFA antecipou mesmo a data do golpe para o dia 25 de Abril para que não ocorresse o risco de coincidir com o 1º. de Maio, nessa altura a ser objecto de vasta campanha de mobilização clandestina a nível nacional, levada a cabo pelo MRPP.

Seja como for, nunca seria possível confiar a militares de um exército colonial-fascista a realização e direcção de uma Revolução pela emancipação dos trabalhadores.

Ora o que se passou foi que um partido que se arrogava de ser comunista, - o p”c”p – em lugar de aproveitar a queda de uma ditadura para levar o movimento revolucionário até ao fim traiu os trabalhadores apelando não a uma aliança operária-camponesa mas à aliança povo-MFA, acabando ele próprio por ser vítima dos militares que apoiara, com o seu chefe principal a ter que se refugiar na embaixada da Checoslováquia no dia 25 de Novembro.

Com esse objectivo e utilizando como seu braço armado o COPCON reprimiu greves e ocupações de casas devolutas e combateu todas as lutas operárias que pudessem pôr em causa a democracia burguesa e o aparelho de estada de que havia apoderado. Lembro também aqui que as principais medidas e conquistas da classe operária e dos trabalhadores tiveram que ser impostas contra o MFA como foi o caso da Semana das 40 Horas, o salário mínimo e os aumentos salariais.

Quando hoje se assinala também o 40º. Aniversário da Constituição da República, não podemos aqui omitir que ela foi aprovada numa Assembleia designada de constituinte, formada a partir de eleições – as de 1975 – em que o meu Partido, então MRPP, foi proibido de participar e viu serem presos e torturados mais de quatrocentos dos seus militantes e simpatizantes

Foi esta a pseudo-liberdade e a democracia com que se iludiu o Povo no 25 de Abril.

Ao fim de todos estes anos, os operários e trabalhadores estão a pagar o preço dessas ilusões e da traição que os oportunistas criaram e cometeram em 1974 e nos anos que se lhe seguiram.

Depois de nos últimos quatro anos termos sofrido uma enorme e brutal exploração e empobrecimento – que não foram interrompidos com o imediato derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas – são os mesmos partidos que sabotaram esse objectivo que agora voltam a criar ilusões num governo de direita do PS, como suas muletas.

É preciso não esquecer que os operários, trabalhadores e reformados não foram reembolsados do roubo dos seus salários e pensões nem do saque fiscal a que foram sujeitos durante o consulado PSD/CDS e que vão continuar a ter de pagar os milhões de euros que banqueiros amigos de Cavaco roubaram levando à falência bancos como o BPN, BES, BPP e agora o BANIF.

Por outro lado, o governo de Costa não deixa margem para dúvidas – os compromissos (leia-se ditames) com Bruxelas e Berlim SERÃO respeitados.

O que significa que o povo português vai continuar a ter que pagar uma dívida que não contraiu e a ver sempre ameaçados os seus salários e pensões e a nunca ter serviços públicos e uma vida condignos.

Isto para além de ficarmos expostos a ataques de países oprimidos por imperialismos, perante quem este governo e presidente da república se ajoelham e com eles participam em acções de agressão e ocupação, enviando tropas portuguesas para o Mali e a República Centro-Africana ao serviço do imperialismo francês de monsieur Hollande, amigo do senhor Costa.

Tudo isto, não se esqueça, com o apoio das muletas do PCP e do BE.

Pela nossa parte continuaremos a lutar pela unidade da classe operária e dos trabalhadores em torno de objectivos políticos, como agora o da Semana das 35 Horas para todos os operários e trabalhadores do sector público e do sector privado, sempre tendo em vista realizar o único ideal justo e certo pelo qual se sacrificaram e deram a vida muitos proletários e comunistas – O DA EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES, O FIM DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM E O COMUNISMO!

O POVO VENCERÁ!

29.04.2016

 

 


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