PAÍS

Fora o Euro! Venha o Escudo!

III
A Solução da Tróica e do Governo de Traição Nacional Coelho/Portas

Se, em outra galáxia, um extraterrestre tivesse estado a escutar a Terra nos últimos seis anos e a escuta, por casualidade, tivesse recaído sobre o território português, o extraterrestre relataria aos seus chefes o resumo das escutas efectuadas, dizendo-lhes que o planeta Terra, desde o derradeiro governo de um tal Sócrates até ao actual governo de Coelho, Portas e do big brother Cavaco, aparentemente só tem um problema: a dívida e como pagá-la.

Estranha coisa será a dívida desses terráqueos, diriam os nossos irmãos extragalácticos!

Ora, a dívida de que aqui se fala, também chamada dívida externa ou dívida soberana, tem origem nos empréstimos contraídos pelo Estado para financiar os seus défices: o défice orçamental e o défice externo, no essencial.

A dívida não é, pois, a causa dos nossos problemas, mas a consequência desses problemas, ou seja, o resultado dos problemas económicos e financeiros que inevitavelmente conduzem àqueles défices.

A dívida só é importante para os credores; para os operários e para todo o povo português, o que é importante são as causas económicas que conduziram e conduzem ao endividamento.

E para que fique tudo dito de uma só vez, as causas que conduzem à dívida são também as mesmas causas que conduzem à exploração e à opressão dos trabalhadores.

Por isso, a solução do problema da dívida é uma para os credores, os bancos, os monopólios capitalistas, o imperialismo alemão, as instituições europeias, o Fundo Monetário Internacional, a Tróica, o presidente da República e o governo de traição nacional Coelho/Portas, e é outra para os operários, os trabalhadores, a juventude, os desempregados, os reformados, os pensionistas, os idosos, para todo o povo em geral.

Vejamos, em primeiro lugar, a solução imposta pela Tróica e por todas as forças que ela representa, e a que se submetem, como cães fidelíssimos, o governo de traição nacional Coelho/Portas e o presidente da República.

A lógica dessa canalha é tão simples quanto errónea: se a dívida resulta dos défices orçamental e externo, acabem-se então com os défices, para, com o dinheiro assim poupado, se pagar aos credores.

Se há um défice orçamental, cortem-se então as despesas do Estado nesse orçamento, e aumentem-se nele as receitas, até que fiquem equilibradas as despesas com as receitas orçamentadas; tal é a lógica da Tróica e da teoria económica neoliberal que a sustenta.

E que despesas se devem então cortar?

Pois obviamente aquelas despesas que não prejudiquem os credores e seus lacaios: as despesas com a educação, com a saúde, com a assistência social, com as pensões, com as reformas, com os salários dos funcionários públicos, com os subsídios aos desempregados, com o leite das crianças, com a inclusão e reinserção social.

E que receitas é que devem ser aumentadas?
Pois obviamente o IVA dos que são obrigados a comer fora de casa, o IVA sobre tudo o que se come e bebe e na taxa máxima, os cortes nos salários dos funcionários públicos, os cortes nos subsídios de férias e de natal, e o imposto sobre os rendimentos do trabalho, com novas taxas e até com sobretaxas.

E tudo isto para todo o sempre, pelo menos enquanto houver dívida a pagar, sendo certo que os credores e seus cachorros bem sabem que, com tal política de corte nas despesas e aumento das receitas, haverá sempre dívida a pagar e cada vez maior será a dívida.

Mas, em contrapartida, credores e seus cães não deixam de exigir alguns aumentos estratégicos nas despesas – como por exemplo, a despesa com o pagamento de bancos falidos (BPN e BPP: dez mil milhões de euros) e a recapitalização de todo o sistema bancário praticamente falido, da Caixa Geral de Depósitos ao Banif, com trinta mil milhões de euros.

E, ainda em contrapartida, os credores e seus abutres não deixam de exigir a redução estratégica de alguns impostos, como sucedeu com o desconto de 2% no IRC, um imposto que, como se sabe, só é pago pelos capitalistas e cujo bónus de 2% faz diminuir as receitas orçamentais em três mil milhões de euros ao ano.

Resumida fica assim a política contra-revolucionária de austeridade e empobrecimento generalizados, aplicada pela Tróica e pelo seu governo de lacaios, desde Passos Coelho a Cavaco, com vista a eliminar o défice orçamental, alegando que o nosso Povo viveria acima das suas possibilidades.

Relativamente à eliminação do défice externo, a política do governo e da Tróica é também de austeridade e empobrecimento generalizados, mas actua directamente sobre o valor do trabalho, reduzindo os salários – que é o preço da força de trabalho – a níveis inferiores ao do valor social de mercado da própria força de trabalho. Pretendem a Tróica e seus lacaios reduzir ao extremo do intolerável os salários e todos os custos do trabalho, por forma a produzirem-se bens transaccionáveis a custos inferiores aos que são praticados no mercado global.

É aqui que entra o Euro, moeda única forte e cara, que arruína os operários, os trabalhadores e toda a economia portuguesa.

Os nossos leitores estão com certeza entre aqueles homens e mulheres que vão todas as semanas comprar os seus abastecimentos às praças, mercados e supermercados; e já repararam, com gritante estranheza, que nesses locais se acham à venda alhos provenientes da China ou espargos oriundos do Equador e do Peru, mais baratos do que os produzidos em Portugal, apesar de terem de pagar uma viagem de meia volta ao mundo para cá chegarem...

O que é que explica este fenómeno?

Explica-o o euro. O euro é, comparado com o yuan chinês, o dólar do Equador ou o sol do Peru, uma moeda tão desproporcionadamente forte e cara, que um português pode comprar, em Lisboa, bens produzidos no outro lado do mundo, mais baratos do que os mesmos bens produzidos em Caneças.

A consequência de uma tal moeda está em que Portugal deixou de produzir e passou a importar, porque fica mais barato, e deixou de produzir porque não podia exportar, porque produzia muito caro.

Tudo por causa do excessivo valor da moeda única, o euro, para uma economia tão débil e tão frágil como a nossa, e não por causa dos custos do trabalho nacional que, nos seus melhores dias, nunca ultrapassou metade dos custos médios do trabalho europeu.

Tal é pois o euro a verdadeira e única causa dos défices da nossa balança comercial.

A Tróica e seus lacaios internos impuseram como único método para reduzir ou eliminar aquele défice externo a redução imediata, progressiva mas permanente, dos salários dos trabalhadores e a redução de todos os custos do trabalho, desde a taxa social única, a pagar pelos trabalhadores e sem contribuição do patronato, até o aumento e prolongamento da jornada de trabalho não pago e aos despedimentos sem justa causa e sem indemnização.

Com esta política contra-revolucionária o que nos espera é a ruína total da nossa economia, o roubo permanente da força de trabalho, o empobrecimento generalizado, o desaparecimento da população, a emigração e a morte do País.

Comunga desta solução a teoria da reestruturação da dívida, assunto já debatido em anteriores escritos publicados no Luta Popular sobre a matéria e que aqui se dão por reproduzidos por breve nomeação.
Todo o povo português se deve unir como um só homem para derrotar sem dó nem piedade e por todos os meios ao seu alcance esta política contra-revolucionária da Tróica e do governo de traição nacional Coelho/Portas.
É a independência e a sobrevivência de Portugal que está em causa.


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