INTERNACIONAL

Iraque: A maior derrota dos EUA depois do Vietname

No passado dia 18 de Dezembro, os últimos soldados ianques – 500 homens da 1ª Divisão de Cavalaria da 3ª Brigada das Forças Especiais empenhadas na segunda guerra do Golfo – retiraram do Iraque, com o rabo entre as pernas, pela mesma porta por onde aquela mesma unidade militar, quase nove anos antes (3196 dias, para maior exactidão) havia invadido o país: pelos caminhos de Bassorá e do Kuwait.

Chegou assim ao fim a guerra que representou para os Estados Unidos da América do Norte a maior derrota político-militar, depois da derrota no Vietname, quarenta anos atrás.

Todos estarão certamente lembrados do vergonhoso discurso pelo qual, no dia 17 de Março de 2003, o mentecapto e reaccionário George Bush filho, então presidente dos EUA, justificava a invasão e destruição do Iraque, apoiado por todos os seus cães-de-fila ocidentais, entre os quais figurava o desprezível Durão Barroso: “as informações que o nosso e outros governos recolheram não deixam nenhuma dúvida sobre o facto de que o regime iraquiano continua a possuir e a dissimular certo tipo de armas das mais mortais que alguma vez se construíram e de que ele ajudou, formou e escondeu terroristas, incluindo agentes da Al Caida”.

Como o tempo veio comprovar – mas todos os governos ocidentais já o sabiam – aquelas justificações eram totalmente falsas e não passavam de um pretexto para ocultar a ganância rapace do imperialismo ianque.

No dia em que, com a retirada, não podem mais escamotear o desastre político e militar em que se atolaram, os imperialistas americanos carregam às costas o peso de inúmeros crimes: a total destruição da economia, da sociedade e da cultura iraquianas, a liquidação de mais de 150.000 vidas do povo do Iraque, a deslocação e refúgio de mais de três milhões de pessoas e o saque de petróleo no montante de 14,6 mil milhões de dólares; mas também os crimes contra o próprio povo americano: a morte de 4485 soldados e 750 mil milhões de dólares do custo da guerra (250 milhões de dólares por dia!...) que é a causa principal do aumento incontrolável da dívida pública americana e, em consequência, da crise financeira mundial que dura desde 2008.

Mas o desastre político, considerando unicamente os interesses e objectivos dos imperialistas ianques, é ainda maior do que o desastre militar, embora seja deste consequência.

Com efeito, onde os EUA, antes da segunda guerra do Golfo, tinham no Iraque um país alinhado contra o Irão, tem agora um país dirigido pela facção xiita, aliado do Irão contra os EUA.

Assim, na sua estratégia global de cerco e aniquilamento do Irão, os EUA deixaram de contar, por força dos disparates bushianos e obamianos, com três plataformas cruciais ao planeamento daquela estratégia: o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão.

Isto tudo teve como consequência que a administração Obama – este cavalheiro foi beatificado com o prémio nobel da paz pelo parlamento de Oslo logo que empossado, e passou os quatros anos de mandato a matar gente no norte de África, no sul do Sudão, no Afeganistão, no Paquistão e no próprio Iraque – teve como consequência que a administração Obama, do mesmo passo que retirava do Iraque três anos depois do prometido na campanha eleitoral americana, começou a armar até aos dentes as ditaduras aliadas da área do Golfo.

Assim, entregou ao governo iraquiano, pago adiantadamente (!...), 11.000 milhões de dólares (8.500 milhões de euros) de armamento, correspondente a 13,4% do produto interno bruto actual do Iraque, deixando o país ainda em pior situação financeira e orçamental do que a Tróica deixou a Grécia!...

E, no dia 29 de Novembro, três semanas antes da retirada, o nobel da paz Obama autorizou a exportação de 84 caças F15SA (o que há de melhor no arsenal ianque), pelo preço de 29.400 milhões de dólares (22.700 milhões de euros) à Arábia Saudita.

Arábia Saudita que é sunita, vizinha do Iraque e próxima do Irão, estes xiitas... A autorização de venda daqueles caças faz parte do acordo de venda de material de guerra à Arábia Suadita, válido por dez anos, no valor de 60.000 milhões de dólares (46.460 milhões de euros).

Por outro lado, em Outubro passado, o pacifico Obama, paixão serôdia do Dr. Mário Soares, vendeu ao reino do Bahreim 44 veículos couraçados (não apenas blindados...) Humvee, para juntar aos helicópteros Apache com que o reino de Bahreim mata os indignados que nas ruas do emirato pedem democracia!

Com os carros blindados, couraçados e com os helicópteros, o nobel da paz Obama mandou também trezentos mísseis que, não por acaso, alcançam Teerão...

Os imperialistas ianques não aprenderam nada com o Vietname, assim como não aprenderam nada com a derrota do Iraque, nem vão aprender nada com a próxima derrota no Irão.

A ladroagem, a rapina e a guerra estão no ADN, na natureza, do imperialismo. Mas não se esqueçam nunca: o imperialismo é um tigre de papel.

E vão ser derrotados pelos povos explorados e oprimidos do mundo.

Convém não esquecer que o governo português do inefável Durão Barroso também participou na 2ª guerra do Golfo e é também um lacaio menor dos ianques, agora derrotados. Ou seja: o governo português é também um dos que, com os ianques, saiu do Iraque com o rabo entre as pernas.


ONDE HÁ OPRESSÃO HÁ RESISTÊNCIA!

VIVA A JUSTA LUTA DOS POVOS OPRIMIDOS DO MUNDO CONTRA O IMPERIALISMO IANQUE!

MORTE AO IMPERIALISMO!

POR UM GOVERNO DE ESQUERDA, DEMOCRÁTICO PATRIÓTICO!

 



Partilhar

Adicionar comentário


Código de segurança
Actualizar

Está em... Home Internacional Iraque: A maior derrota dos EUA depois do Vietname