INTERNACIONAL

A tese dos vendidos discípulos de Alain Badiou é esta:

 O projecto islamista é uma ideologia sintetizada, expressão de forças feudais que estiveram em vias de relativamente se libertarem da relação com o capitalismo burocrático.

Assim, quando Sadam Hussein foi deposto no Iraque, o capitalismo burocrático foi igualmente posto de lado e as forças feudais puderam desenvolver-se livremente. Tal foi também directamente o caso em certos países onde o petróleo e o gás natural existiam em abundância. Ao contrário de países como, por exemplo, na América do Sul, houve no Médio Oriente países sem capitalismo burocrático realmente formado, apenas forças feudais que se modernizaram. Os actuais investimentos do Emirato do Catar consistem precisamente num capitalismo burocrático para o feudalismo. Há aqui uma convergência entre fracções da burguesia dos países imperialistas e as petro--monarquias da Arábia Saudita e do Catar.

Não obstante, aparecem neste processo organizações como a Alcaida e o Estado Islâmico que são as fracções mais radicais deste feudalismo. Eles constroem estruturas que desenvolvem segundo a sua estratégia tendo como fim produzir em toda a parte condições ideais para o feudalismo, tanto economicamente como cultural e politicamente. Tal é naturalmente impossível e, por isso, tudo conduz à barbárie e ao niilismo.

É assim falso pensar que tais movimentos fundamentalistas não seriam senão fenómenos marginais espontâneos, que não existiriam senão pelas acções armadas. A sua rectaguarda deve ser entendida de maneira correcta, porque de outro modo poderia pensar-se que se trataria de aventureirismo individual (cfr. texto integral em francês no portal lesmaterialistes.com).

Os quatro parágrafos acabados de transcrever, traduzidos da declaração conjunta, comprovam, antes de tudo e sobretudo, que os pretensos marxistas-leninistas-maoistas de França e da Bélgica não fazem a mínima ideia do sistema económico característico dos países do Médio Oriente, produtores de petróleo, e da natureza das classes e da luta de classes que aí existem. Para eles, os países em causa seriam países onde dominariam as relações de produção e de troca feudais, matizadas com um “capitalismo burocrático para o feudalismo”. O próprio Iraque, depois da liquidação de Sadam Hussein, teria regressado ao feudalismo, pois o capitalismo burocrático teria desaparecido com o desaparecimento de Sadam…

Entendamo-nos: todos os países árabes e muçulmanos do Médio Oriente, produtores de petróleo – Iraque, Irão, Arábia Saudita, Catar, Dubai, Omã, Iémene, Jordânia, Síria, Kuwait, etc. – são todos países capitalistas, países onde o sistema das relações de produção e de troca dominantes é o sistema de produção e de troca burguês. O facto de esses países serem enquadrados num regime político proveniente muitas vezes das monarquias teocráticas medievais – as petro-monarquias -, não significa que o sistema económico seja o sistema feudal, pois essa superestrutura política monárquico-religiosa não é incompatível com a infraestrutura económica burguesa de base.

O assassinato de Sadam Hussein e da sua camarilha dirigente, quando da invasão imperialista na segunda guerra do Golfo, não alterou o sistema económico dominante no país, pesem embora as destruições colossais das forças produtivas, dos meios e dos instrumentos de produção impostas pelos bárbaros bombardeamentos das forças invasoras, incluindo as francesas e belgas. Também quando a Wermacht nazi dominou a França e a Bélgica, o sistema económico capitalista da Bélgica e da França não retrogrediu ao sistema económico feudal, anterior à revolução de 1789.

A natureza socio-económica do actual sistema político do Iraque manteve-se a mesma até hoje, e não regressou, como pretendem os marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica, ao sistema de produção feudal. Então - como hoje - o Iraque tem uma economia fortemente dependente das receitas do petróleo, com os outros restantes sectores produtivos marginalizados, e altamente consumista, dependendo fortemente das importações.

Como consequência, mantiveram e até cresceram substancialmente os extractos burgueses compradores “acumulando riquezas enormes de dinheiros públicos através da corrupção, grandes contratos com o Estado, especulação, contrabando de fundos e outras actividades parasitárias” (cfr. nota do Partido Comunista do Iraque sobre o Estado Islâmico, de 29.09.2014).

Se quanto ao sistema económico dominante no Iraque os pretensiosos marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica carecem em absoluto de razão, pior lhes sucede ainda com a sua total ignorância do que se passa no Catar.

O desenvolvimento económico capitalista do Catar nos últimos vinte anos foi tão gigantesco que o petróleo e o gás já só representam hoje 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Desde 2004, a política económica catariana é focada nos sectores não dependentes do petróleo e de gás natural, nomeadamente nos campos da educação e do conhecimento internacionais. O Catar é aliás um dos grandes financiadores do moribundo imperialismo francês.

Claro, o Catar é um emirado absolutista, dirigido pela Casa de Thani desde meados do século XIX, mas tal não significa que o país viva no sistema económico feudal e que esteja presentemente a construir, como pretendem os m-l-m franceses e belgas, “um capitalismo burocrático para o feudalismo”.

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Comentários   

 
# Quibian Gaytan 20-05-2016 06:34
Saludos comunistas,
Tengo a bien informarles que, en entrada del blog Luminoso Futuro del 20 de febrero de 2016, hemos publicado bajo el rubro Partido Comunista de los Trabajadores Portugueses: MENSAJE DEL CAMARADA ARNALDO MATOS AL CAMARADA LÚCIO su desenmascaramie nto de los reclamados Marxistas-Lenin istas-Maoístas franceses y belgas. De seguido el enlace: https://drive.google.com/file/d/0Bwo68T7ecF55NzhsRTRCaU9jYkk/view?usp=sharing
 

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