Sibiu – a Cimeira do desespero do imperialismo europeu! 

Perante a mais que provável possibilidade de as próximas eleições europeias, que terão lugar a 26 de Maio, se traduzirem no maior nível sibiusde abstenção de sempre – existem sondagens que apontam para 70% de abstenção -, inicia-se hoje em Sibiu, na Roménia, uma Conferência de líderes europeus, supostamente para celebrar o “Dia da Europa”. O desespero entre as hostes do imperialismo europeu é evidente, tanto mais quando são inegáveis os sinais da desagregação da União Europeia e do euro.

Numa carta reveladora do estado de desespero a que estes dirigentes chegaram – assinada por 21 Presidentes da República de países da UE, entre os quais Marcelo Rebelo de Sousa -, faz-se um patético “apelo” a uma forte votação nas próximas eleições europeias já que, segundo os próprios, “... é o nosso futuro europeu comum que está no boletim de voto”.

Na supracitada carta/apelo – desesperado, dizemos nós – suscitam, de novo, o fantasma da guerra, afirmando sem qualquer pudor que “... a integração europeia ajudou a concretizar uma esperança secular pela paz na Europa...”, quando é precisamente o contrário o que está a acontecer, preparando-se o imperialismo europeu para transformar os operários e os trabalhadores europeus em “carne para canhão” para um novo conflito interimperialista em preparação.

É que, desiludam-se os que não compreenderam, ainda, que as condições para que esse conflito mundial venha a ocorrer estão a assentar nos mesmíssimos pressupostos que levaram às anteriores guerras mundiais que a Europa e o mundo conheceram num passado recente, conflitos levados a cabo pelas potências imperialistas, ontem como hoje, para assegurar o “espaço vital” à prossecução dos seus interesses, procurando cada uma das potências envolvidas, à custa do sofrimento e morte, e da pilhagem e ocupação de outras nações, assegurar uma posição dominante sobre as restantes.

Este desespero acontece porque a UE e, sobretudo, a Alemanha – potência dominante neste espaço -, começam a ser confrontados com a guerra larvar que se desenrola entre as duas super potências da época – China e Estados Unidos -, que tentam impor ao mundo uma nova “ordem global”, exigindo que as potências imperialistas regionais – as que integram a UE e a Rússia que já foi uma super potência, mas que hoje se tornou numa mera potência imperialista regional - , os elos mais fracos do sistema imperialista mundial, se decidam com qual dos lados irão alinhar.

Na cimeira de Sibiu que hoje se inicia, já nenhum dos que nela marcarão presença pensam que aí se venham a discutir estratégias para tirar a UE do sufoco em que se encontra, nem serem tomadas “decisões épicas” sobre o seu futuro, mas antes proceder a um desesperado toque a rebate de uma “unidade” cada vez mais fragmentada, que evite o mais que anunciado desfecho de uma UE moribunda.

É sintomático da percepção dessa desagregação da UE e do euro, o facto de o Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, ter afirmado, antes de se deslocar para a referida Cimeira, que “... o mundo ao nosso redor parece mais instável a cada dia que passa ... tudo está a mudar: a economia, o clima, a geopolítica, criando novos desafios mas também novas oportunidades ...”

Pois é! Foram precisamente as desastrosas políticas, ditas de “austeridade”, levadas a cabo pelo directório europeu, dominado pelos interesses da Alemanha imperialista, que promoveram a pobreza generalizada na Europa – segundo o Eurobarómetro, existem 113 milhões de pobres na UE e 32 milhões em risco de pobreza -, o que, logicamente, leva a um descontentamento generalizado dos operários e trabalhadores europeus, cada vez mais aproveitado por correntes fascistas, populistas, xenófobas e racistas que tentam capitalizar a seu favor esse descontentamento.

Por outro lado, o envolvimento cada vez mais generalizado em guerras de agressão e rapina, sob a capa de “operações pela paz” e em defesa dos “direitos humanos”, que vão desde o Iraque à Síria, passando pela invasão da Líbia e a “regulação” de conflitos no Chade e na República Centro-Africana, tem levado à chamada “crise dos refugiados”, precisamente em fuga das guerras, perseguições e conflitos, em que potências imperialistas europeias participam, quer como apoiantes ou “aliados” dos EUA, quer como protagonistas, sempre como fornecedoras de material bélico e “assistência” militar e logística.

É pois num quadro de “Brexit”, de recrudescimento da extrema-direita na UE, de “crise de refugiados”, da profunda crise económica e política que atravessam a França e a Itália, do abrandamento do crescimento económico que se regista na Alemanha, que soa a patética abordagem feita pelo Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao identificar os “quatro grandes pilares” a discutir na Cimeira de Sibiu, na Roménia: “... a protecção dos cidadãos e das liberdades; o desenvolvimento de uma nova base económica, com um modelo económico; a construção de um futuro mais verde, mais justo e inclusivo, e a promoção dos valores e interesses europeus no mundo”.

Já nada consegue dissimular que, tal como Lenine o afirmava no princípio do século passado, os “Estados Unidos da Europa” ou são uma impossibilidade ou são um projecto profundamente reaccionário. Na nossa opinião...são ambas!

Não ao Euro!

Não à União Europeia!

Por uma solução operária para a crise!

9MAI2019                                                                                                                          LJ

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