Ensaio

A nova direita e a subjectividade reaccionária
A edição de 2 de Março, de 2019, do jornal reaccionário Expresso contém um artigo onde se arrola o número de comentadores nos media ligados a cada partido político.1 Como seria de esperar, PS, PSD, e CDS contam com o maior número de articulistas. No entanto, a ‘esquerda’ social-democrata e social-fascista, assim como os ultraliberais e os liberal-fascistas, também têm direito, ainda que em menor escala, a representação mediática. 
Para análise empírica da receptividade dos votantes nacionais às propostas de cada organização política, elaborei o seguinte quadro, que relaciona o número de votos alcançados nas eleições legislativas de 2019 com a quantidade de comentadores que cada partido enquadra na comunicação social:
Partido Comentadores por Partido Votos por Comentador
PAN 0 174 511 (nenhum comentador)
IL 0 67 681 (nenhum comentador)
PS 25 76 321
C! 1 67 826
BE 9 55 557
PSD 34 44 325
CDU/PCP-PEV 8 41 559
PCTP/MRPP 0 36 118 (nenhum comentador)
A 2 20 243
L 3 19 057
CDS 12 18 481
N-C 1 12 379
 
Apesar das suas eventuais limitações, este quadro permite concluir que tanto o social-liberalismo animalista do PAN, como o ultraliberalismo da IL, como o liberal-fascismo do Chega!, conseguem conquistar largos sectores de apoio popular independentemente da sua relativamente baixa cobertura mediática.2 
Notas:
(1)Os políticos invadiram os media portugueses
https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2418/html/revista-e-1/-e/os-politicos-invadiram-os-media-portugueses?
Consultado a 27 de Maio de 2020
 (2)O Partido Socialista consegue extrair um elevadíssimo rácio de apoio popular face à quantidade de comentadores, que é mais baixa que a do PSD, o que se explica, em parte, pelo facto de há décadas ter os seus tentáculos profundamente enraizados em aparelhos ideológicos de todo o tipo, com destaque para a comunicação social.
pctpmrpp
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