CORRESPONDÊNCIAS

PORTO
Mais um Trabalhador Assassinado
Publicado em 22.05.2015

(do nosso correspondente no Porto)

2015-05-19-porto01O silêncio é a palavra de ordem na Câmara Municipal do Porto (CMP) de Rui Moreira – igual, nesse aspecto, à de Rui Rio – se o assunto é a morte de um seu funcionário, quando se encontra a trabalhar para a Câmara. Primeiro nada se diz, sob o pretexto de que ainda não foi realizado inquérito, nem sequer se esclarece a identificação do funcionário (deve ser porque até isso tem de ser previamente apurado em inquérito...). Depois do inquérito, continua a nada se dizer, a não ser o descartar de responsabilidades, imputando-as a situações imprevisíveis ou, mesmo, colocando-as sobre os ombros da própria vítima.

É um silêncio  criminoso com o qual a generalidade da imprensa colabora: são os “critérios jornalísticos” da maior parte da imprensa, nos quais não cabem notícias que afectem a credibilidade do poder burguês.

Joaquim Augusto Dias Barbosa, jardineiro de 41 anos de idade, ao serviço da CMP, morador em Paço de Sousa, morreu, no passado dia 19, pelas 21horas, em consequência da queda de uma grua, que cedeu quando levantava um tronco de árvore, deixando a viúva e uma filha de 17 anos órfã.

Como foi possível a grua partir, quando se içava o tronco, a não ser porque foi mal avaliada a capacidade e as boas condições da grua para levantar tal peso? Como é feita a fiscalização e a manutenção das máquinas ao serviço da câmara? Como e quem coordenou os trabalhos? Para o executivo de Rui Moreira, pouco importam as condições de segurança com que são feitos os trabalhos na autarquia, o que é preciso é cortar nos custos, nem que isso custe a vida aos seus trabalhadores.

Como foi possível, não ter sido estabelecido um perímetro de segurança, em redor das operações de elevação onde ninguém possa estar? Só se explica isto com o facto de para Rui Moreira e a sua camarilha tempo ser dinheiro.

Tudo isto foi possível e a consequência foi trágica: mais um trabalhador assassinado: só no espaço de oito dias morreram três trabalhadores devido à falta de segurança e condições de trabalho. Para que serve a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)?

Como se tem passado em tantos outros locais com acidentes graves e vítimas mortais, a ACT limita-se à já habitual abertura de um inquérito para averiguação dos acontecimentos, dando essas averiguações quase sempre em nada, ficando a fiscalização preventiva sempre por fazer, como o Luta Popular Online já por diversas vezes denunciou.

Neste caso, e para além da ACT, a responsabilidade deve ser assacada à Câmara Municipal do Porto, ao seu Presidente, enquanto responsável pela obra em causa, e que tem a obrigação de garantir que os seus funcionários desempenhem os trabalhos em segurança e de acordo com as suas qualificações.




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